Sucre - A presidente interina da Bolívia, Jeanine Añez, anunciou nesta sexta-feira (24) sua candidatura à Presidência nas eleições do próximo dia 3 de maio, uma possibilidade que já provocava críticas da oposição. "Não estava nos meus planos", disse Añez no evento em La Paz em que foi lançada a sua coalizão, "Juntos".
Embora já tivesse sugerido no passado que não concorreria, a líder interina justificou sua decisão dizendo que queria ajudar a unir um eleitorado fragmentado num país profundamente dividido pela polarização política.
"A dispersão de votos e os candidatos que falham em unir os bolivianos me levaram a tomar essa decisão", afirmou Añez em uma reunião de seu partido, o Movimento Democrático Social.
Añez assumiu a Presidência em novembro, invocando uma cláusula constitucional que ditava que ela seria a próxima na sucessão para governar como líder interina depois que o ex-presidente Evo Morales, o ex-vice-presidente Álvaro García Linera e outros parlamentares, incluindo a presidente do Senado, renunciaram.
Seu governo conservador logo se afastou das políticas de Evo, com o rompimento da relação com países tradicionalmente aliados, como Cuba e Venezuela, e a aproximação com os Estados Unidos.
Añez, 52 anos, dona de um canal de TV e advogada antes de entrar para a política, é uma forte opositora de Evo.
O ex-presidente, em resposta, critica frequentemente seu governo devido ao uso excessivo de força militar para reprimir protestos, muitos deles organizados por indígenas.
A presidente interina havia afirmado anteriormente que não seria correto disputar as eleições. Ela disse neste mês que estava focada em unir a fragmentada oposição a Evo, que, embora não seja candidato, dirige a campanha de seu partido, o MAS (Movimento ao Socialismo).