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Está na Constituição. E daí?

Maria América Ferreira
| Tempo de leitura: 2 min

Vamos começar pela lama, digo pelo esgoto e a falta de água tratada, ou seja, pelo saneamento básico que não existe. A Constituição garante o mínimo para a sobrevivência humana, o que envolve habitação, alimentação, educação, saneamento básico, saúde e emprego, não necessariamente nessa ordem. Mas, entre as garantias constitucionais e a realidade em que vive a população, há um abismo intransponível.

As últimas pesquisas divulgadas por institutos oficiais comprovam que de Norte a Sul do País há condições péssimas de subsistência das populações. A região Norte é a que mais sofre. No total, são 100 milhões de brasileiros sem saneamento básico e 34 milhões de pessoas que não têm acesso a água potável. Essa população habita barracos em meio ao lixo e ao esgoto que corre livremente e se mistura com as pragas, bactérias e toda espécie de sujeira. Além disso, o déficit habitacional é de quase oito milhões de moradias.

De acordo com uma pesquisa divulgada pela Associação Trata Brasil, o município de Bauru aparece na 75ª (septuagésima quinta) posição no ranking de saneamento das 100 maiores cidades brasileiras. Ao todo, foram analisados o abastecimento de água, a coleta e o tratamento de esgoto. Os dados que nortearam a pesquisa são do ano passado. O tema é uma novela. Sem solução. E aí você deve estar se perguntando, por que esse assunto agora?

Então vamos lá. Novamente aparecem as eleições. As deste ano de 2020 e as de 2022.

Prefeitos e vereadores serão eleitos em breve, para trabalhar por nós. Certo? Errado. A continuar o mesmo trotar da carruagem, eles serão eleitos e vão continuar fingindo que trabalham e nós fingindo que acreditamos. E vai permanecer tudo igual! Por isso, precisamos estar atentos. Precisamos insistir em aprender a votar, até que um dia a gente consiga.

Devemos lembrar que a responsabilidade pelo saneamento básico é do Poder Público, federal, estadual e municipal, cada um cumprindo a sua parte. Para quem chega em casa depois de um dia de trabalho e tem a sua disposição um banho de chuveiro, com água corrente em abundância, não faz ideia que ali, muito próximo, em um bairro da periferia, não há chuveiro, muito menos água para um banho. Não há banheiro, nem descarga e os coliformes fecais estão por toda parte. As crianças sofrem diarreias constantes, vivem cheias de vermes, e até morrem por doenças causadas pela falta de saneamento. Seria simples resolver o problema não fosse a má gestão do nosso dinheiro, que eles chamam de público. Basta trabalhar. Coletar e tratar a água para abastecer a todos. Tratar o esgoto para que as pessoas adoeçam menos. Mesmo que a pessoa more em um barraco ela tem que ter as mínimas condições para viver.

Senhores candidatos: Não prometam o que não vão cumprir. Que tal começar apresentando soluções para os problemas mais simples?

PS: Mais informações sobre o assunto podem ser obtidas no Portal R7. Uma reportagem completa foi exibida no programa Câmera Record do dia 26/01/2020.

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