São Paulo - Com o temor de investidores ao coronavírus, o dólar subiu 1% e atingiu um novo recorde nominal nesta quinta-feira (30), a R$ 4,26, superando o recorde de novembro de 2019, de R$ 4,258.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou na tarde desta quinta que a disseminação do coronavírus é uma emergência de saúde internacional e reconheceu que o vírus representa um risco não só na China, onde ele surgiu no fim de 2019.
No Brasil, durante o pregão desta quinta, o dólar chegou a R$ 4,273, perto do pico intradiário de R$ 4,2785 de 26 de novembro. O turismo foi a R$ 4,46, alta de 1,13%.
Em termos reais (corrigidos pela inflação), a moeda norte-americana ainda está longe de sua máxima de 2002. Se for considerado apenas o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculado pelo IBGE, o pico de R$ 4 naquele ano, equivale a cerca de R$ 10,80 hoje. Caso também seja levada em conta a inflação americana, o valor corrigido seria cerca de R$ 7,50.
Dentre as principais moedas do mundo, o real é a terceira que mais se desvalorizou na sessão, atrás do rand sul-africano e do dólar de Taiwan. No ano, o real é a segunda moeda que mais perde valor em relação ao dólar, atrás apenas da divisa da África do Sul.
Para especialistas, a alta do dólar é fruto da retirada de recursos estrangeiros do Brasil, o que aumenta a procura e a saída da moeda do país, elevando sua cotação.
A Bolsa brasileira teve uma leve alta de 0,12%, fechando a 115.528 pontos. Em 2020, o índice acumula queda de 2%.
ECONOMIA GLOBAL
Investidores temem os efeitos do coronavírus sobre a economia global. Segundo oficiais chineses, a paralisação do país com o surto da doença deve o reduzir crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2020.
O mercado acredita que o impacto financeiro deva ser semelhante ao surto de Sars (síndrome respiratória aguda grave) entre 2002 e 2003. Também causada por um coronavírus, a doença matou 774 pessoas, entre 8.098 infectadas. Segundo o JP Morgan, na época, o maior impacto foi no setor aéreo, turismo e consumo doméstico asiático.
De acordo com relatório do banco americano, Hong Kong teve um dos mais severos impactos econômicos, com queda de 0,5 ponto percentual no PIB do segundo trimestre de 2003 em comparação com o mesmo período de 2002. Na região, as vendas no varejo recuaram 7,7% no mesmo período.