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PIB da região cai e acende alerta

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

Números divulgados pela Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) colocam a região administrativa (RA) de Bauru, composta por mais 38 cidades, em alerta. No acumulado de 12 meses, o Produto Interno Bruto (PIB) caiu pela terceira vez e atingiu índice negativo de 0,3%. A desaceleração econômica da RA é observada desde o último trimestre de 2018 e segue até o período mais recente analisado pelo Seade, o conjunto julho/agosto/setembro de 2019.

Um dos indicadores mais utilizados na macroeconomia, o PIB mensura a atividade econômica, que inclui o desempenho de setores como administração pública, agricultura, indústria, serviços e comércio.

Além das atividades industrial e agropecuária, o segmento de comércio e serviços, que era um dos principais responsáveis por puxar o índice de forma positiva, também recuou, reduzindo a velocidade de crescimento na RA.

O panorama não é restrito a Bauru, mas os dados são preocupantes. "São Paulo tem projeção de crescimento econômico de 2,6%. Se o dado de Bauru continuar a cair, a região vai se diferenciar em relação ao restante do Estado e ficar muito abaixo", alerta Vagner Bessa, gerente de Indicadores Econômicos da Fundação Seade.

OS NÚMEROS

A projeção é feita pelo especialista ao considerar os dados trimestrais do PIB acumulado de 12 meses da RA de Bauru. Em julho, agosto e setembro de 2018, a taxa era de 3,1%. No trimestre seguinte (outubro, novembro e dezembro), o número caiu para 2,4%. Em 2019, nos primeiros três meses, o mesmo índice foi registrada, porém, no trimestre seguinte (abril, maio e junho), o indicador voltou reduzir, chegando a 1,6%. A maior e terceira queda do período acumulado ocorreu na sequência, já no trimestre de julho, agosto e setembro de 2019, quando o número alcançou o crescimento negativo de 0,3%.

"Isso mostra que há um problema de longo prazo e que pode complicar o crescimento da região de Bauru. Os dados para fechar 2019 (outubro,novembro e dezembro) ainda não foram concluídos, mas também devem mostrar queda", reforça Vagner Bessa.

OUTRAS CIDADES

O problema, contudo, não é restrito à Bauru. Outras regiões administrativas do Estado também vivem a desaceleração econômica. Das 16 regiões administrativas paulistas consideradas pelo Seade, oito tiveram resultado negativo na comparação trimestral acumulada em 12 meses: São José do Rio Preto (-0,5%), Marília (-2,0%), Franca (0,0%), Presidente Prudente (-0,3%), Araçatuba (-1,9%), Barretos (-3,5%), Central (-0,6%) e Registro (-1,5%).

"A indústria vai relativamente mal por causa da atividade de alimentos, que vem passando por um ano muito difícil em todo o Estado. O que vinha segurando a atividade e também desacelerou foi o setor de serviços, tanto o prestado às empresas quanto o prestado às famílias", analisa Vagner. "A agropecuária também não está bem, há queda na cadeia produtiva do agronegócio", completa o representante da Fundação Seade.

ESPERANÇA?

Vale destacar que a soma do valor de todos os bens e serviços finais produzidos pela RA de Bauru, no 3.º trimestre de 2019, está na média, R$ 11,4 bilhões.

E, na comparação entre o terceiro e o segundo trimestre de 2019, há crescimento real de 0,9%. O dado, no entanto, pode indicar um falso positivo, já que, na análise macro anualizada, há queda. "Algumas coisas melhoraram em relação ao trimestre passado. Talvez, as exportações tenham trazido algum alívio, mas não é algo estrutural, não há tendência", pontua Vagner Bessa.

Até 2018, o RA em questão figurava como a 8.ª no PIB estadual, com participação de 1,9%.

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