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'Primeirões' na USP destacam foco

Ana Beatriz Garcia
| Tempo de leitura: 2 min

"Pensam que quem passa em Medicina na USP, principalmente em primeiro lugar, não tem vida durante os estudos". É o que contesta Gabriela Ribeiro Redondo, de 19 anos, que foi a primeira colocada no curso na FOB/USP. Outro aprovado em primeiro lugar na universidade, só que em Direito na tradicional 'Faculdade Largo São Francisco', é Selton Laurenti Preto, de 19 anos. Ele concorda que tal conquista não vem por meio de "cronogramas surreais" de estudo.

Ambos fizeram dois anos de cursinho, sendo o último no Anglo Bauru, e destacam o foco em suas rotinas, deixando sempre alguns momentos para descontração e vida social. "Tem quem ache que o vestibulando de Medicina não sai de casa, vira noites estudando. Não é bem assim. Nunca deixei de assistir aula, o que acho o principal. Depois, estudava no período da tarde, aqui na Biblioteca da FOB. Mas nunca fui uma máquina de estudar. Isso é uma idealização que as pessoas têm sobre quem passa em Medicina", conta Gabriela.

Para Selton Laurenti Preto, de 19 anos, três palavras definem o bom êxito neste ano de estudos: resiliência, foco e organização. "É preciso saber enfrentar os desafios, mesmo quando algo nos desanima. E não adianta estudar por 12 horas sem foco, se poderia ter estudado melhor em quatro. Eu sempre me organizei, sem cronogramas surreais, mas de uma forma possível, que eu sabia que iria cumprir", afirma.

SONHO

Os dois já tinham feito cursinho em 2018 e haviam sido convocados em outras instituições. Inclusive, Selton passou em outro câmpus da USP, mas abriu mão em busca do sonho. "Eu queria mesmo fazer Direito no Largo São Francisco", comenta. "Sempre me interessei muito por política e encontrei neste curso uma forma de estudar essas dinâmicas", conta.

Gabriela também não cursou Medicina em duas outras instituições, confiante no ingresso na faculdade dos sonhos. "Foi difícil assumir que eu queria Medicina, porque sabia das dificuldades e da responsabilidade de cuidar do bem mais precioso das pessoas, que é a saúde. Mas era meu sonho", diz a estudante, que já ganhou seu primeiro estetoscópio de presente da madrinha.

CONCORRÊNCIA

Falando em dificuldades, os cursos escolhidos por eles são concorridíssimos na USP, que teve quase 130 mil inscritos em 2020. Medicina na FOB, por exemplo, é o segundo mais disputado, com 124 candidatos em busca de uma vaga, atrás apenas do curso em São Paulo. "Sempre tive muito o apoio da minha família, que foi essencial para essa minha conquista. Mas, eles nunca me pressionaram. Acho que, para passar no vestibular, você precisa superar a você mesmo. A concorrência é você", destaca Gabriela.

Selton ainda destaca que, apesar da feliz surpresa com a classificação, o melhor sentimento é o de dever cumprido. "É muito satisfatório olhar para o meu ano e ver que as restrições e todo o estudo fizeram com que eu realizasse o meu sonho", finaliza.

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