Uma parceria entre 13 Lions Clubes de Bauru e região, a Fundação para o Desenvolvimento Médico e Hospitalar (Famesp), o Estado e o município deve zerar a fila de espera por detecção e tratamento de retinopatia diabética. É que o clube de serviço conseguiu recurso na ordem de US$ 391 mil e investirá em um programa de prevenção da doença.
A verba foi obtida via Lions Clubs International Foundation e Fundação Mórmon e custeará tratamento de pacientes - tanto os já na fila quanto os novos -, além de também equipar três unidades públicas de saúde em Bauru com retinógrafos, utilizados na detecção. Será adquirida ainda para o Hospital Estadual (HE), gerida pela Famesp, uma máquina de procedimento de fotocoagulação a laser, a segunda do tipo na cidade.
Os Lions integrantes do programa representam 18 cidades, mas o programa deve beneficiar a abrangência total do HE, que é de 38 municípios. Hoje, há filas na rede tanto para detecção quanto para tratamento de retinopatias. E o HE é o único hospital público que oferece máquina para tratar doenças do tipo na região.
EQUIPAMENTO
Do total do recurso, US$ 170 mil serão para a compra de retinógrafos, que serão disponibilizados nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) do Geisel, do Centro e no Ambulatório Médico de Especialidades (AME). Já a máquina de fotocoagulação a laser será comprada para o HE. A previsão é de que os dispositivos cheguem neste mês.
"Trata-se de um projeto muito importante e interessante. Várias pessoas não sabem nem que são diabéticas", observa o presidente da Famesp Antonio Rugolo Jr, comemorando a parceria. "E a fotocoagulação é um tratamento para diminuir a lesão dos vasos na retina. Pode impedir a progressão e até retroceder", acrescenta. Com os equipamentos na rede básica, a ideia é que haja separação dos casos mais graves para poder tratá-los de forma mais rápida e diminuir os riscos de cegueira, por exemplo.
E com a nova máquina, o HE deve dobrar sua capacidade de realização dos procedimentos. "Para isso, já até iniciamos a ampliação da equipe médica com novas contratações", ressalta Deborah Maciel Cavalcanti Rosa, diretora executiva do HE.
ATENDIMENTO
Os outros US$ 221 mil custearão o tratamento de cerca de 2,1 mil pessoas, por três anos.
"O Lions não quer passar ninguém na frente. A ideia é estimular os atendimentos via regulação do Estado. Portanto, a fila será atendida primeiro. Depois, ajudaremos a captar novos pacientes, ampliando as detecções com campanhas realizadas pelos próprios Lions", explica Manoel Messias Mello, administrador do subsídio e ex-governador de Distrito do Lions.
O Lions custeará até mesmo os colírios. E o HE deve bancar consulta a continuidade do tratamento. Após os três anos, a expectativa é de que a demanda seja incorporada pelo Estado.
"Já existe até uma pactuação com a secretaria do Estado para que, daqui a três anos, eles mantenham esse aporte no orçamento do HE para mantermos o projeto", reforça Deborah.
RECÉM-NASCIDOS
O equipamento no HE deve estender ainda o atendimento da fotocoagulação para recém-nascidos prematuros.
"Quando eles utilizam o oxigênio por muito tempo, a artéria da retina pode acabar lesada. E há certa dificuldade em tratar, o que pode gerar cegueira futuramente. Iremos usar o aparelho também para tentar minimizar este problema", observa Rugulo.