Ribeirão Preto - O locutor de rodeios Asa Branca, apelido de Waldemar Ruy dos Santos, morreu nesta terça (4), aos 57 anos. Asa Branca foi internado em 14 de dezembro de 2019 para tratamento de um câncer na boca, e liberado uma semana depois, dia 21. Após uma piora na saúde, ele voltou ao hospital em 27 de dezembro. Sua internação mais recente havia sido em 25 de janeiro deste ano. No último domingo (2), sua esposa afirmou que o locutor estava em "estado bem crítico" e pediu orações.
Asa Branca é o responsável por transformar rodeio em show. O auge aconteceu nos anos 1990, quando ele chegava a eventos como a Festa do Peão de Boiadeiro de Barretos em helicópteros, saltando de paraquedas ou em tirolesas. Já narrou montarias dentro de camionetes em movimento e até mesmo em cima de cavalos. Asa Branca inovou o estilo de narrar ao descer do palco e ficar dentro das arenas.
Até então, locutores lendários como Zé do Prato (1948-1992) não se aventuravam a descer na pista de montarias e ficar perto dos animais que chegam a pesar mais de uma tonelada. Tudo foi possível por Asa Branca - apelido recebido por ter hábito de aprisionar pássaros - ter "descoberto" na década anterior o microfone sem fio, quando limpava cocheiras no Texas (EUA). "Era coisa de outro mundo", disse ele - que desistiu de ser peão após ser pisoteado por um touro em 1984.
Com a fama e o dinheiro chegaram também os símbolos de autodestruição que vez ou outra atingem artistas: noitadas e abuso de bebidas, drogas e sexo. Se fora das arenas os excessos consumiam o patrimônio - chegou a dizer ter perdido R$ 10 milhões com farras -, dentro Asa Branca era o principal símbolo da mudança pelas quais os rodeios passavam.
Era a época da internacionalização do rodeio de Barretos (1993), de peão brasileiro sendo campeão mundial (Adriano Moraes, em 1994) e da entrada de country, rock e disco como trilha sonora nas festas de peão. Saía de cena o caipira, entrava em ação o caubói. Asa Branca soube montar nesse cavalo que passava arreado como ninguém
Há dois anos, o locutor recebeu diagnóstico de câncer na garganta. O tumor chegou a regredir, mas a doença voltou neste ano, atingindo também a base da boca e dificultando cada vez mais a fala.
Nos últimos meses, Asa Branca passou a dar entrevistas criticando os rodeios. Queria se redimir. Outros dois arrependimentos era o uso de cocaína e o gasto desmedido de dinheiro.