O Ministério da Saúde do Japão informou nesta sexta-feira, 7, que foram registrados mais 41 casos de coronavírus entre os 3,7 mil passageiros a bordo do navio de cruzeiro Diamond Princess, que está em quarentena na costa do país. Com isso, 61 pessoas estão infectadas. Entre os doentes está um argentino - é o primeiro caso confirmado de um latino-americano.
O cruzeiro, que chegou segunda-feira, 3, à noite perto do porto de Yokohama (sudoeste de Tóquio), tem cerca de 3,7 mil pessoas, entre passageiros e tripulantes, dos quais 273 foram submetidos a testes de triagem. "Os resultados dos 171 testes restantes chegaram, dos quais 41 foram positivos", anunciou o ministro da Saúde do Japão Katsunobu Kato. Esses pacientes serão hospitalizados, assim como foram os anteriores.
Além do argentino, existem 21 japoneses, 8 americanos, 5 canadenses, 5 australianos e um britânico infectados, de acordo com informações fornecidas pelo ministério.
O Diamond Princess atracou em Yokohama e está em uma quarentena que pode durar até 19 de fevereiro. Vinte pessoas já haviam testado positivo. Eles foram evacuados do navio. Um deles está em estado grave, anunciou o Ministério da Saúde, sem entrar em detalhes.
Uma outra importante linha de cruzeiros tomou a decisão de proibir cidadãos da China de embarcar, independente de quando estiveram lá pela última vez. Outros países estão proibindo navios de atracar em seus portos, se passou por rota asiática desde dezembro.
PROTESTOS
A morte por coronavírus de um médico chinês que foi repreendido por emitir um alerta sobre a doença provocou críticas ao governo, nesta sexta-feira.
A morte de Li Wenliang, de 34 anos, ocorreu num momento em que o presidente Xi Jinping garantiu aos Estados Unidos e à Organização Mundial da Saúde (OMS) transparência e máximo esforço para combater o vírus.
O oftalmologista Li estava entre as oito pessoas repreendidas pela polícia na cidade de Wuhan, onde o vírus surgiu, por espalhar informações "ilegais e falsas". Li foi obrigado a assinar uma carta em 3 de janeiro, dizendo que "havia perturbado gravemente a ordem social" e foi ameaçado com acusações.
CENSURA
A Anistia Internacional considerou sua morte um "lembrete trágico" de como a preocupação da China com a estabilidade suprime informações vitais.
Depois de estar brevemente entre os principais tópicos no Weibo, "o governo de Wuhan deve um pedido de desculpas ao médico Li Wenliang" e "queremos liberdade de expressão" não produziam mais resultados de pesquisa.