Cultura

Depois do café da manhã

Paulo Vieira
| Tempo de leitura: 1 min

Depois do café da manhã

quando terminares de espantar de vez

este resto de sono que ainda zonzo balança o teu corpo

escreva na pele dos olhos

embriagados das mesmas manhãs de ontem ou anteontem

o que depois copiarás na folha do caderno de estudos

e acharás por bem de chamar de verso

ou qualquer coisa parecida

mas se depois de amanhã

esse mesmo caderno dissolver as palavras

e no sol da tarde seu corpo

apenas gastar-se nas ruas esperando a noite

deixe-se nos caprichos soturnos

desse mundo de sombras e vento e luzes fugazes

porque na mesma pele dos olhos

onde as palavras ensaiam os primeiros olhares

o noturno que te assombra os pensamentos

há de te explicar o que é uma estrela

sem se quer arriscar o brilho dela

sem desperdiçar os dias da semana

porque o comboio do poema

é só um segundo antes das coisas.

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