A Companhia de Habitação Popular de Bauru (Cohab) ainda não tem o valor detalhado de todas as suas dívidas. Uma audiência pública foi chamada pela vereadora Chiara Ranieri (DEM) nesta quinta-feira (13), às 8h30, para apresentação dos débitos e do montante estimado. O presidente Arildo Lima Jr., contudo, já adianta que o número preciso ainda está sendo estudado pela companhia, que teve troca de todo o comando no final do ano passado.
Investigada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público (MP), a Cohab também tem agora uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) instalada na Câmara Municipal. Com cerca de 40 dias, a nova diretoria ainda faz uma espécie de 'pente-fino' para identificar os valores que, de fato, são devidos pela companhia.
São três dívidas principais. A maior delas com as construtoras, em valores que podem ficar acima de R$ 5 bilhões. São 25 ações de empresa contra a Cohab e, em parte, a Caixa foi incluída no polo passivo, ou seja, a companhia não deverá pagar, e sim o banco da União.
Em outras, a Caixa conseguiu sair do polo passivo. A maior delas, da Construtora LR, será julgada em 18 de março na Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) - o julgamento estava previsto para 19 de fevereiro, mas foi adiado. Só está dívida pode passar de R$ 1 bilhão, em valores corrigidos.
CAIXA
Outra dívida volumosa da Cohab é com o FGTS. Em acordo aprovado pela Câmara Municipal, no final do ano, a companhia poderá renegociar esse débito, de R$ 430 milhões, em 20 anos. A prefeitura, no entanto, acabaria pagando cerca de R$ 2 milhões mensais. O montante dessa dívida ainda é controverso.
A Cohab está fazendo a depuração dos 95 contratos para chegar ao valor exato, que poderia, inclusive, ser substancialmente menor. "Ainda não há como afirmar o quanto devemos neste caso", afirma o presidente Arildo Lima Jr.
Ainda com a Caixa, a Cohab tem uma pendência relativa ao pagamento do seguro habitacional. O banco pede algo em torno de R$ 190 milhões, a companhia entende que a dívida é de R$ 130 milhões, e haveria ainda R$ 85 milhões a receber por parte da Cohab, o que reduziria o débito para R$ 50 milhões. A gerente jurídica da Cohab, Andrea Salcedo, destaca que por conta do pouco tempo da atual direção à frente, a companhia ainda estuda cada contrato para, enfim, chegar ao valor que a Cohab deve reconhecer como sendo a sua dívida.