Em 22 de fevereiro, sábado que antecede o Carnaval, o Calçadão da Batista será palco do desfile realizado pelo bloco de rua Bauru Sem Tomate é Mixto, a partir das 10h30. E o enredo que dará a tônica da folia com tom de protesto desta vez é "Bauru, Canaã das Capivaras", em menção ao animal e também ao termo policial usado no levantamento de fichas de acusados.
Realizado em sua 8.ª edição, o evento tem concentração na Praça Rui Barbosa. Às 11h, como reza a tradição, o bloco anuncia o crítico e irônico prêmio Desatenção, que neste ano foi para o prefeito Clodoaldo Gazzetta, para o deputado federal Rodrigo Agostinho e para o ex-presidente da Cohab Edson Gasparini Júnior. Na sequência, o desfile é iniciado pelo Calçadão e segue com carro de som até a Praça Machado de Mello.
A expectativa é de que a descida leve aproximadamente 2 horas e que reúna cerca de 200 pessoas. "O Carnaval é uma manifestação cultural popular que foi legalizada só em 1932, até então era alvo de perseguição. Ou seja, ele só existe em razão do grande espírito crítico e da liberdade que temos para tratar dos temas", observa Roque Ferreira, um dos idealizadores do Sem Tomate.
Tatiana Calmon Karnaval, esposa de Roque e também idealizadora do bloco, ressalta que a participação é aberta a toda comunidade. "Não há cordão e ninguém é obrigado a ter abadá. Nosso bloco não tem fins lucrativos e todo trabalho é voluntário. Pedimos apenas uma colaboração com a venda das camisetas para conseguir custear os músicos, que são pagos por respeito ao artista", explica Tatiana, pontuando ainda que a festa não tem cunho partidário.
Neste ano, as camisetas receberam a arte de Silvio Selva e podem ser adquiridas com membros do bloco, por R$ 40,00 e R$ 50,00.
O ENREDO
Com composição de Mauro Santos, o enredo com duplo sentido trata do animal capivara, que gerou polêmica em Bauru por sua presença em massa em uma área de condomínio, e também do termo utilizado ao se referir às fichas policiais de acusados. "O intuito é incomodar os acomodados", fecha questão Mauro.
Segundo Roque, o parcelamento de solo tem sido realizado "sem observação ao aspecto ambiental e sem um programa voltado aos animais que ocupavam o espaço antes da urbanização".
Já em um segundo viés, a "capivara criminal" da cidade é enfatizada. "Ao puxarmos a ficha de Bauru, teremos casos como da Cohab e do assentamento Canaã. Setecentas famílias foram tiradas, divididas e jogadas em pedaços de terra pela cidade sem condições mínimas para viver", completa Tatiana.
A festa dos tomateiros também terá homenagens ao muso e musa 2020: Anastácio da Silva, o Lulinha, membro do bloco desde o início, e a socióloga Maria Cecília Campos.
"O Lulinha tem uma trajetória de resistência junto aos movimentos sociais da cidade, além de ser grande representante da Umbanda e também dos motociclistas. E a Maria Cecília é professora e voluntária há anos, dá aulas em assentamentos", detalha Henrique Perazzi.
SERVIÇO
Bauru Sem Tomate é Mixto: sábado de Carnaval, 22/02, com concentração a partir das 10h30, na Praça Rui Barbosa, e desfile no Calçadão da Batista. Camisetas e informações com Tatiana Calmon (14) 99132-4759 ou com Henrique Perazzi (14) 99141-6873.