Minha mulher ficou ressabiada. Ou esperançosa, vai saber. A cada duas mensagens que ela mandava, eu respondia: "O amor também faz errar". "Por que repetiu duas vezes sobre o amor?", ela perguntou. Era só uma pegadinha. Uma forma boba de fazer propaganda da nova música da banda Ira!, "O Amor Também Faz Errar".
Seria "só mais uma", mas é um pouco mais. Afinal, trata-se da primeira inédita desde 2007 - quando o grupo, meu favorito nacional desde a adolescência, acabou de forma rumorosa.
Antigamente (e o antigamente faz cada vez mais tempo) a gente esperava ansiosamente o lançamento de um disco de vinil.
Você deve se lembrar bem disso. Corria até a loja uma vez por semana para perguntar se chegou. Quando comprava, e não era barato, mal botava o pé fora da loja e já tirava o encarte para conferir letras e fotos.
Hoje você clica, ouve e esquece. A rapidez do mundo meio que acabou com expectativas e dúvidas, o que não é legal. Acho que já escrevi sobre isso. Esperar por algo era legal. Tinha um certo sabor, acho até que mudava algo no nosso olhar. Pulando essa etapa, como atualmente ocorre, ficamos mais insensíveis .
Tento não ficar. Deixei a expectativa mansamente chegar e permanecer. Nas primeiras horas do dia, aí sim, cliquei e a música estava lá no YouTube. Do celular mesmo pude curtir esse rock-balada de gente madura. Um certo frescor jovem alegrou a madrugada.
Agora é manter vívido o espírito da expectativa. Porque um álbum inteiro de canções inéditas do Ira! chega em maio - mês do meu aniversário. Que o passado abra os presentes pro futuro, como cantaria Taiguara. O amor também faz bem.