Seria possível imaginar que Waldir Messias Meirelles quisesse curtir a aposentadoria conquistada como funcionário da Rede Ferroviária Federal e ter uma vida de ócio. Nada disso. Aos 61 anos, ele tem o entusiasmo de um novato. Seus olhos brilham ao falar sobre o que pretende fazer ainda. Ociosidade é algo que não existe na vida dele. E, com certeza, se hoje não fosse presidente da Associação Luso Brasileira de Bauru, estaria à frente de alguma entidade, até mesmo filantrópica.
Logo que somos recebidos para a entrevista na sede do clube, ele já entrega um calhamaço de papéis mostrando tudo o que o clube proporciona ao associado, o que sua diretoria tem em mente e faz questão de que a gente visite cada cantinho das instalações e confirme como o local está reformulado.
Jornal da Cidade - Como é que começou sua história com a Luso?
Waldir Messias Meirelles - Nascido e criado em Bauru, sempre estive por dentro da história do clube, cheia de glórias. Acompanhei várias atividades e vitórias. Mas foi depois de 2013 que me tornei bem mais ativo. Antes disso, não dava.
JC - Por causa do seu trabalho na Rede Ferroviária Federal?
Waldir - Também. Mas mesmo depois de aposentado da Rede, tive que trabalhar. Me aposentei cedo até porque comecei a trabalhar já bem cedo e meu tipo de trabalho, na mecânica, permitia uma aposentadoria precoce por insalubridade.
JC - Mas não dava para ficar parado?
Waldir - De jeito nenhum. Fui ser comerciante da área gastronômica. Muita gente vai se lembrar: tive uma batataria, a Kartofell, no Bauru Shopping. Era ponto de encontro de quem vinha ao shopping. Além das batatas recheadas, servíamos chope também. Tenho até hoje comigo uma placa que ganhei como o maior vendedor de chope por metro quadrado do Brasil. Só depois começou a história com o Luso.
JC - Primeiro foi fazer parte do Conselho Deliberativo?
Waldir - O conselho é o coração de uma entidade. É onde a gente começa a entender como tudo funciona. Serviu como preparação para disputar a presidência junto dos companheiros da chapa "Nova Ação" e estamos aqui como presidente desde o ano passado. Mas quero deixar claro e tenho isso como convicção na minha vida: as coisas só dão certo no clube porque temos uma equipe muito boa. Em todas as áreas. Isso é bem definido para mim: não se consegue nada sozinho nesta vida. A equipe é excelente, os instrutores de cada área nem se fala, são capacitadíssimo, e também tem a ação dos funcionários do clube que são amigos e fazem tudo acontecer.
JC - Sua equipe tem feito um bom trabalho...
Waldir - Sem dúvida. Temos muitos projetos, todos pensando no bem-estar e na saúde do sócio e sua família. Aqui tem lazer, tem recreação, mas tem formação e cuidado com a saúde também. A gente quer que a família toda frequente aqui, desde os bisavós até os pequenos. Pensamos nas duas pontas, nas várias faixas etárias. E não dá mais para pensar que aos 60 anos alguém seja velho. De jeito nenhum. Os homens estão correndo muito ainda com 60 (risos). Tanto que lançamos o futebol society para jogadores acima de 60 anos e foi um sucesso. De repente, estávamos com vários times participando. Eram oito times com 15 jogadores cada um.
JC - Isso é gratificante, né?
Waldir - Muito. Esses convênios que fechamos com o Bauru Basket e com o Sesi de vôlei feminino, por exemplo, são um novo modelo de gestão. Os atletas de alto nível se tornam espelhos de nossas escolinhas. É uma motivação a mais. Temos também o social. Veja, neste domingo mesmo (hoje), temos um pré-Carnaval com almoço e muito samba do grupo 'Sinhá'. O cardápio é do restaurante Porks, com a comida tradicional de Pouso Alegre. E o Carnaval vai repetir o ano passado, duas noites e uma matinê. E só para lembrar voltamos com a tradicional Festa Portuguesa. Estamos resgatando tudo e tendo coisas novas. Eu me emociono só de lembrar o que foi a apresentação do balé das crianças no final de ano, com a peça "O Rei Leão" no Teatro Municipal. Vai ficar para sempre na memória. E sem falar no projeto Suavidade, que é um dos pilares da Luso. Bom, não dá para falar de tudo, né (risos)?
JC - E além de gostar do trabalho, de estar em equipe, o senhor valoriza muito a família.
Waldir - Demais, mesmo. Sou o mais velho de uma família de cinco irmãos. Os irmãos: Edivaldo, Wanderley, Elizabete e Eliane. Somos família bem grande. São dois cunhados, duas cunhadas e 11 sobrinhos. E mantemos uma tradição: toda quinta-feira tem café da tarde com a minha mãe. Ela, Amélia Oliveira Meirelles, tem 85 anos e está muito lúcida ainda (meu pai já faleceu). Depois ainda há minha atual esposa, meus dois filhos e a mãe deles de quem só posso falar bem.
JC - Ah, é, coisa rara, né?
Waldir - Sim, eu não poderia querer mãe melhor para meus filhos. Ela os criou muito bem. E falo para todo mundo que se separa que mantenha um relacionamento saudável com o ex-marido ou a ex-mulher. Especialmente se tiver filhos.
JC - Para finalizar...
Waldir - Minha vida é isto aqui hoje (Luso) e se 80% da diretoria quiser e achar que devo continuar lá na frente (o mandato tem um ano ainda), eu aceito continuar. Digo 80% porque a vida ensina que nada é unânime e não dá para agradar a todos. Já fizemos bastante, penso, mas temos muitos projetos. O clube está bom e vai ficar muito melhor.