Escrevo cartas para a Tribuna do Leitor desde há muito tempo. Guardo muito do que já me foi permitido publicar. Comparo os textos de antanho com o que vejo sendo publicado hoje e me estarreço. Já fomos muito melhores. Hoje uma turba de conservadores parece querer tomar conta de tudo e todos.
Opinam pelo retrocesso, jogam contra os interesses do país e do trabalhador, deslavados e descarados, não conseguem nem fazer um mea culpa. Enxergam nos nossos algozes, Moro, Bolsonaro, Dallagnol, Skaf, Doria, os salvadores da pátria. Uma doida inversão de valores e mesmo de opiniões.
Quando antes alguém apunhalando os ditos mais nobres ditames do mundo jurídico poderia ser merecedor de espaço e consideração? Hoje são endeusados, colocados num podium e beatificados. E ai de quem se volta contra esses "impolutos" cidadãos.
Falta reflexão nos atos, muitos emitidos sob o tacão do ódio de classe, permeando a perpetuação da exclusão social. Será já termos mesmo perdido aquele dom da compreensão, de enxergar sob sensíveis olhos todos os lados da mesma questão?
Quando algo contraria os interesses pelos quais o vetusto defende, dá-lhe grosserias, palavras de baixo calão e o total descalabro de mensagens homofóbicas, muito além de algo considerado conservador.
Sempre fomos e agimos assim ou pioramos com o advento Bolsonaro? Onde estavam esses que hoje desenxergam o que está mais que nítido diante dos olhos de todos, preferindo se auto apunhalar do que ter o país soberano de volta?
A Tribuna é o termômetro deste conflitante momento. Nela muito perceptível a mudança de postura. Quem frequenta esse espaço há décadas, como meu caso, não consegue esconder a desilusão com o hoje presenciado. O jornal continua possibilitando a publicação de opinião de diferentes vertentes, mas hoje predomina uma linha antes oculta, abafada e até então diminuta. Éramos mais plurais, conseguíamos fluir algum debate. Pioramos... e muito.