Política

MP aponta evolução desproporcional em bens de ex-presidente da Cohab

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 3 min

A 4ª Vara Criminal de Bauru retirou o segredo de Justiça da primeira etapa da Operação 'João de Barro', do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público (MP). Deflagrada no final do ano passado, a operação apura irregularidades na Companhia de Habitação Popular de Bauru (Cohab) e culminou com o pedido de afastamento do então presidente Edison Bastos Gasparini Jr. e de outros diretores. A derrubada do segredo de Justiça revela que o MP fez um amplo trabalho de investigação da evolução patrimonial de Gasparini Jr. e de seu núcleo familiar mais próximo, entre os anos de 2008 a 2018.

O JC teve acesso aos autos do processo e em mais de 115 páginas os promotores do Gaeco detalham o avanço dos bens da família, considerado por eles incompatível com a renda de presidente da companhia e seus familiares diretos. O salário médio de Gasparini Jr. era de pouco mais de R$ 10.000,00 nos últimos anos, cita o Gaeco.

Já o patrimônio da família, diz o Gaeco, soma 15 imóveis, oito veículos e há ainda oito empresas que foram abertas no período, sendo seis delas voltadas ao segmento agropecuário, mas nenhuma com funcionários registrados.

O JC tentou contato com Gasparini e com os 4 advogados informados por ele no processo, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição.

BENS

No pedido da busca e apreensão de bens, o Gaeco destacou que os oito veículos adquiridos pela família de Gasparini Jr. são de modelo de 2006 para frente, ou seja, comprados após ele tomar posse do cargo de presidente da Cohab. O valor estimado dos carros varia entre R$ 17.588,00 - um Fiat/Uno de 2013, a R$ 149.604,00 - um MMC/Triton Sport, de 2019. Na soma, os oito veículos tem valor de R$ 377.140,00.

Já os 15 imóveis em nome de Gasparini e da família somam R$ 1.981.261,75, no valor de escritura, mas em valores de mercado estão em R$ 5.029.097,88. O MP frisa que somente em 2009 e 2014 não houve compra de novos imóveis. O ano que mais chamou a atenção foi 2012, quando seis imóveis foram adquiridos, com valor de mercado total de R$ 2.560.839,63. Já em 2016 a família vendeu dois imóveis, comprados em 2008, o que rendeu R$ 500.000,00. No mesmo ano, foram comprados outros três imóveis, com valor total de R$ 2.018.264,56.

Os imóveis em nome da família somavam seis apartamentos, três lotes, uma vaga unitária de garagem, duas glebas de terra, um depósito e a casa onde Gasparini e família moram, em um condomínio fechado na zona sul de Bauru. Durante o período investigado, também constam três imóveis que foram comprados e vendidos, sendo dois apartamentos e um lote. "Os imóveis não se tratam de herança, mas de bens adquiridos mediante a devida contraprestação financeira", afirma o Gaeco.

Em termos de herança, o MP destaca que foram localizadas apenas duas casas, fora desta relação já mostrada.

VIAGENS

O Ministério Público também apurou 42 viagens internacionais feitas por Gasparini e sua família neste período.

O Gaeco destaca que aconteceram ainda viagens dentro do País. Ao considerar apenas os deslocamentos de Gasparini Jr. ao Exterior, foram constatadas cinco em 2015 e seis em 2016. Os destinos mais comuns foram os Estados Unidos, com nove viagens, seguido por Alemanha (seis vezes), Reino Unido (outras quatro), duas para a Argentina, uma para Portugal, México e África do Sul e Chile.

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