São Paulo - A dificuldade em chegar a um acordo sobre a divisão do dinheiro dentro do chamado Orçamento impositivo elevou a temperatura entre Palácio do Planalto e Congresso.
Pessoas próximas ao presidente Jair Bolsonaro chegaram a chamar de 'golpe do parlamentarismo branco' a insistência dos congressistas em ficar com a gestão de R$ 30 bilhões do total de R$ 80 bilhões do Orçamento que, pelas projeções, está livre para ser gasto em 2020.
O general Augusto Heleno, considera inadmissível o que qualifica de chantagens do Legislativo para avançar sobre o dinheiro do Executivo: "Não podemos aceitar esses caras chantageando a gente". Heleno defendeu que o presidente deixasse claro à população que está sofrendo uma pressão.
A fala de Heleno foi captada em transmissão ao vivo da presidência da República em cerimônia de hasteamento da bandeira no Palácio do Planalto, na manhã de terça.
Nesta quarta-feira (19), general Heleno afirmou, em sua conta no Twitter, que expressou opiniões de sua "inteira responsabilidade", destacando que "não é fruto de qualquer conversa anterior", seja com o presidente Bolsonaro, o ministro da Economia, Paulo Guedes, ou general Luiz Eduardo Ramos, ministro-chefe da Secretaria de Governo da presidência.
"Externei minha visão sobre as insaciáveis reivindicações de alguns parlamentares por fatias do Orçamento impositivo, o que reduz, substancialmente, o orçamento do Poder Executivo", afirmou.Também destacou: "Isso, a meu ver, prejudica a atuação do Executivo e contraria os preceitos de um regime presidencialista. Se desejam o parlamentarismo, mudem a Constituição."