Entrevista da semana

Guto Vianni: Da padaria para o palco

Dulce Kernbeis
| Tempo de leitura: 5 min

Quem ouve Guto Vianni falando sobre sua infância e adolescência no Noroeste, como goleiro de futebol, não acredita que ele - quando ninguém imaginava que seria cantor e nada o encaminhava para isso - dizia que um dia estaria num palco com Daniel, o ídolo do sertanejo. Mas aconteceu! O artista já foi além. Recentemente fechou um dos shows da dupla Chitãozinho e Xororó aqui em Bauru, cidade que o projetou para a música e onde veio morar com 10 anos de idade. Aqui, ele começou a cantar despretensiosamente, porém seu talento e voz singular logo o levaram à carreira musical profissional. Carreira que está prestes a dar um novo salto. Depois de cantar em duplas, desde dezembro de 2018 se lançou em carreira solo e está tendo a oportunidade de gravar um trabalho autoral no melhor circuito sertanejo brasileiro, em Goiânia.

Jornal da Cidade - Você veio para Bauru na infância e dela tem boas lembranças? 

Guto Vianni - Excelentes lembranças da infância, adolescência e histórias para contar. Eu e meus irmãos, um casal, Ana Patrícia e Carlos Augusto, mais novos do que eu, fomos criados na Nova Esperança. Ali foi nosso chão. Estudos, brincadeiras na rua, futebol, já fui bom nisso (risos). Joguei no Noroeste como goleiro, de pequeno até o juvenil. Acho que era um bom goleiro. Tivemos à época uma boa equipe. Mas fiz várias coisas antes de me definir profissionalmente. Queria ser historiador. Acabei me formando na área.

Jornal da Cidade - Mas chegou a exercer?

Guto Vianni - Pois é. Lá vem história (risos). Não e olha que fiz dois vestibulares. Mas imagina você, vindo de escola pública, a Irmã Arminda Sbrissia, passei no vestibular da Unesp, isso bem jovem, 18 anos. Fui aprovado em História para o o câmpus de Assis. E eu 'cabeçudo' não cursei.

Jornal da Cidade - E se arrepende?

Guto Vianni - Sou de família humilde, não seria fácil me manter fora. Além disso, já tinha a primeira mulher, casei novo e precisava trabalhar. Então, não me arrependo, não. Acabei tendo três filhos desse primeiro casamento. Tenho muito orgulho deles. E agora já tenho uma filhinha do segundo casamento. E insisti em História, tanto que cursei depois aqui em Bauru, na USC. E nunca exerci (risos). Mas no campo profissional poderia ter sido também um bom chef culinário. 

JC - Sério? Qual sua especialidade?

Guto Vianni - Hoje em dia é o churrasco, mas sei fazer de tudo. De tudo mesmo. Aliás, muita gente se lembra ainda da "Lanchonete do Pepê", que era do meu pai, na Nova Esperança, onde havia, sem falsa modéstia, o melhor pastel da cidade. Ali aprendi também a fazer hambúrguer gourmet. Já fazia artesanalmente bem antes de virar a moda que é hoje.

JC - E tem também a história da padaria, você mesmo se define como "da padaria para o palco". Explique isso. 

Guto Vianni - Isso é marcante para mim. Trabalhei mesmo numa padaria lá na Nova Esperança. Enquanto preparava o pão, eu cantava. Quem trabalhava comigo sempre dizia que deveria tentar ser cantor. Dava um show à parte toda madrugada (risos). E eu brincava que eles iriam me ver cantando com o Daniel. E aconteceu!

Jornal da Cidade - Foi assim que começou seu encontro com a música?

Guto Vianni - Desde criancinha, com minha mãe que era uma ouvinte de rádio, especialmente de música brasileira e das grandes bandas. Aprendi a gostar com ela. Ela não tinha preconceitos e escutava de tudo. Lembro-me bem que me chamava a atenção as músicas do "Secos & Molhados", depois do "Legião Urbana". Ah, minha mãe gostava e eu acabei gostando também do programa de rádio chamado "Túnel do Tempo". Ficamos fãs do Márcio Augusto (apresentador e produtor do programa, falecido em 2017). Aí, eu já ouvia e cantava os sucessos da rádio.

JC - E a paixão pelo sertanejo, que acabou sendo o seu gênero, como aconteceu?

Guto Vianni - Com o boom do sertanejo, virei fã de todas as duplas, do Zezé & Luciano, Leandro e Leonardo, Bruno e Marrone, enfim, gostei de todos eles. E com pouco tempo de estrada, especialmente ao lado do meu parceiro de dupla Tiago, tive o privilégio de abrir shows de Maiara e Maraísa, Marília Mendonça, Simone e Simaria, Christian e Ralf, Loubet, além de dividir o palco com ícones como César e Paulo, Zé Henrique e Gabriel e Daniel. Aliás, depois de a dupla abrir o show do Daniel (2017) ele me chamou para cantar com ele. Emocionei demais.

JC - Você tem um repertório próprio?

Guto Vianni - Sim, minhas composições são completas, saem letra e música juntas. Recentemente fiz "Café Amargo". É trabalho de sofrência, claro (risos). Tive a chance de mostrar meu material para Thyeres Marques, hoje o produtor de maior destaque no cenário sertanejo e ele me disse "vem pra cá".

JC - O pra cá é onde?

Guto Vianni - Para Goiânia. Aliás, onde está a meca do sertanejo no Brasil, assim como Nashville, nos EUA, está para o country. Claro que não é fácil. Exige investimento, patrocínio, mas é minha aposta. Vou ficar entre lá e aqui neste ano, até porque tenho shows marcados aqui e na região. Tenho uma parceria forte com  o  Novo Thermas de Piratininga, onde faço a animação musical de lá e não posso deixar pelo que o diretor Marcos Cafeo sempre apostou em mim.

JC - O futuro então...

Guto Vianni - Devo fazer um trabalho mais forte, gravar o primeiro solo, de modão, com clássicos sertanejos e um trabalho autoral meu. Não me vejo fazendo outra coisa senão cantando.

Comentários

Comentários