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As promessas caem na folia

João Pedro Feza
| Tempo de leitura: 2 min

O título acima tem duplo sentido. Não quer dizer que as promessas vão fazer a festa. Significa que desabam mesmo quando chega o Carnaval. Até antes. É o que demonstra matéria da página 35 de hoje sobre metas traçadas no fim de dezembro que (adivinhe só?) ficam pelo caminho.

Objetivos irreais e falta de planejamento são as principais causas da frustração em relação a desejos firmados, segundo um especialista consultado. Agora, cá entre nós: se a promessa de Ano-Novo foi emagrecer, só para ficar em uma, vamos combinar que nenhum calendário ajuda.

Janeiro, por exemplo, é de férias para muita gente. Não dá para fazer sacrifício justamente no momento de aproveitar a vida. E, mesmo para quem seguiu trabalhando, janeiro é janeiro: não há rigor e disciplina em pleno alto verão.

Fevereiro chega e já tem Carnaval. Bom motivo para mexer o corpo e reduzir a barriga, é verdade, mas também para umas cervejas a mais. Março até seria um bom mês para resolver essa questão, mas o Dia da Saúde e Nutrição é comemorado justamente em seu último dia. Aí o mês já passou.

Abril: nem pensar. Páscoa é chocolate, bacalhoada. Maio tem Dia das Mães: felicidade é sair da dieta ao lado de pessoa tão maravilhosa. Mais de uma vez, de preferência. Em junho tem o início do inverno: estação ótima para engordar. Fondues, feijoadas. Polentas com linguiça... Assim como julho - que, de quebra, tem os filhos em férias, doidos para aproveitar todo o tipo de junk food com a gente.

E lá se vai metade do ano sem regime. Alguém em sã consciência faz promessas de fim de ano em agosto, setembro, outubro? Impossível. O jeito é esperar dezembro chegar para renovar os desejos e ver no que dá. Provavelmente em nada.

Talvez a única data que realmente seja favorável a esse negócio de emagrecer seja Finados. Mas essa, e novamente usando um duplo sentido de Carnaval, a gente quer mais é pular.

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