O anúncio do encerramento da Companhia de Habitação Popular de Bauru (Cohab) levou preocupação a mutuários. Com 64.733 imóveis construídos entre 1966 e 1995, sendo 17.465 em 35 núcleos de Bauru, a Cohab teve seu fim anunciado pelo prefeito Clodoaldo Gazzetta, no final do ano passado. A decisão veio na sequência da Operação 'João de Barro', em que o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), investiga diversas irregularidades praticadas na companhia nos últimos anos. O então presidente Edison Bastos Gasparini Jr. renunciou e o prefeito nomeou Arildo Lima Jr. em substituição.
Na Quinta da Bela Olinda, a Cohab construiu 165 casas, em um trecho abaixo da residencial do mesmo nome. Vários moradores procuraram o JC após a decisão do município em encerrar as atividades da companhia - o que ainda não tem prazo exato para ocorrer. No caso da Bela Olinda, a situação é agravada por problemas estruturais em várias casas. Os mutuários afirmam que a construtora que fez o núcleo não construiu os muros de arrimo, pois a área é de aclive. Sem a quitação completa das residencias, os mutuários não sabem o que acontecerá quando a companhia for mesmo liquidada pelo governo municipal.
Cerca de 20 moradores conversaram com o JC e lembram que a discussão sobre a construção dos muros de arrimo segue na Justiça Federal. Selma de Fátima Cosmo Celestino diz que pouco pode fazer em sua casa, na quadra 4 da rua Carlos Linari. "Sem o documento comprovando a titularidade das casas, não temos como investir na construção dos muros de arrimo. Em várias casas, os muros precisam de dois, três metros, porque o desnível é grande, e o custo é alto", frisa.
Na mesma situação dela, estão outros moradores, como Valter Dutra, Edcarlos Campos, Luzinete Brito Campos, Alberto Padovini, Maria de Lourdes Antunes, Salvador Pedro Celestino, Amélia Ferreira da Silva Santos, e Elídio José de Oliveira, que receberam o JC e mostraram mais problemas da região (leia mais abaixo). Os mutuários afirmam ainda que sete casas acabaram sendo demolidas ao longo do tempo, por conta da falta de muros de arrimo, restando apenas terrenos baldios nesses espaços. A preocupação é que mais residências fiquem na mesma situação.
DIREITOS
O presidente da Cohab, Arildo Lima Jr., e a Prefeitura de Bauru afirmam que todos os direitos dos moradores de núcleos construídos pela companhia estão assegurados. "Não existe prazo para a liquidação da Cohab, que ainda está em estudo. Caso a Cohab seja liquidada, todos os direitos e deveres serão provavelmente assumidos pela prefeitura", afirma, em nota, a assessoria de imprensa da Prefeitura de Bauru.