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Pesquisa descobre ilhas construídas por indígenas na Amazônia

Gilberto Costa
| Tempo de leitura: 2 min

Arqueólogos do Instituto Mamirauá descobriram que há ilhas artificiais, também chamadas de "aterrados", em áreas de várzea do Médio e Alto Solimões, no Estado do Amazonas. Essas ilhas foram construídas em períodos que antecederam a chegada de colonizadores portugueses e espanhóis à região. As informações são da Agência Brasil.

Mais de 20 ilhas foram identificadas. Elas medem entre um e três hectares e têm até sete metros de altura. As ilhas têm formato piramidal com a base maior. Na parte de cima, que fica na superfície inclusive na época de cheia, o material cerâmico utilizado no solo ajuda a estabilidade do terreno e as bordas têm forma de talude (rampa), que facilita acesso à água e à atividade de pesca.

Conforme o Instituto Mamirauá "foram encontradas cerâmicas do estilo corrugado, caracterizado esteticamente pelas 'rugas', camadas modeladas nos vasos e peças. O estilo cerâmico, datado dos séculos 15 e 16, é comum a grupos tupis." Além desse material, os pesquisadores identificaram "fragmentos de cerâmica do estilo Hachurada Zonada, tipo ainda mais antigo - acredita-se que por volta de mil a.C."

A hipótese dos arqueólogos é que essas ilhas foram erguidas e utilizadas pelos omáguas, povo indígena antigo - ascendente dos atuais kambebas, etnia amazônida no Brasil e no Peru. Relatos de cronistas do século 16, que acompanharam expedições de colonizadores, registram a descrição de povos: "Eles eram tantos que se arrojaram e moram em ilhas", conforme documento histórico citado à Márcio Amaral, do Grupo de Pesquisa em Arqueologia e Gestão do Patrimônio Cultural da Amazônia do Instituto Mamirauá.

O arqueólogo se impressiona com o volume de terra que os omáguas movimentaram para formar as ilhas artificiais. A terra foi retirada de locais cavados, que desde então formam depressões. "É um volume absurdo de terra que foi movimentada", assinala.

A estimativa é de que haja na região cerca de 250 sítios arqueológicos, dos quais cerca de 20 são ilhas artificiais. O número de ilhas e o volume de terra deslocado levantam hipóteses entre os pesquisadores sobre o nível de conhecimento, a capacidade tecnológica, a densidade populacional e a organização social dos omáguas. "Certamente havia muitas pessoas e havia organização para construírem e movimentar terra. Tinha que saber onde colocar. As ilhas são rampadas. Para aguentar a distribuição do peso fizeram com uma distribuição proporcional", descreve Márcio Amaral.

As pesquisas feitas pelos arqueólogos do Instituto Mamirauá, com apoio do ICMBio, são desenvolvidas há cinco anos.

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