Turismo

Bariloche

Ana Luiza Tieghi
| Tempo de leitura: 3 min

"Se no inverno é a paisagem branca que chama a atenção em Bariloche, quando a neve derrete sobressaem os tons de azul e verde, dos lagos e bosques da região. A cidade fica cheia de turistas da própria Argentina, da Europa e da América do Norte. Ainda há poucos brasileiros, mas esse número pode crescer nos próximos verões.

Desde setembro de 2019, é possível visitar Bariloche em voos diretos em qualquer época. A Azul, que já tinha três partidas semanais entre Viracopos (Campinas) e Bariloche durante o inverno, estendeu sua operação para o resto do ano, com um voo aos sábados.

Quem vai à cidade nos meses mais quentes troca os esportes de gelo por modalidades náuticas, além de ciclismo, corrida e cavalgada. No verão, a temperatura fica entre 7ºC e 24ºC, mas pode passar dos 30ºC no auge da estação.

Os passeios a cavalo permitem explorar um lado pouco conhecido de Bariloche. Longe dos lagos, a paisagem muda para uma vegetação rasteira, em solo pedregoso e seco. A estância La Fragua, a cerca de 30 km da cidade, oferece cavalgadas para turistas.

No dia da visita da repórter, o céu estava nublado, e a temperatura, próxima a zero, com muito vento - era outubro e havia nevado pela manhã. Nada que assustasse os cavalos e o gaúcho - como é chamado quem trabalha com a terra e os animais - que lidera o passeio, Jesus Gonzalez, 43 anos, há seis anos na fazenda.

O trajeto, de cerca de uma hora e meia, passa por um vale, corta um riacho e segue morro acima, até uma rocha com vista para os pampas. Mesmo para quem não tem o costume de andar a cavalo a experiência é tranquila. O animal segue Gonzalez e precisa de poucos comandos.

Na volta à estância, os visitantes são recebidos com um churrasco, ou "asado", como se diz lá. O passeio custa 3.900 pesos (R$ 273), com café da manhã e almoço. Já para conhecer lagos de Bariloche, vale a pena fazer o circuito Chico, passeio de carro vendido por agências que dura metade do dia.

Os visitantes são levados até alguns mirantes para ver os lagos Moreno Leste e Oeste, o pequeno Escondido e o gigante Nahuel Huapi, que chega a 450 metros de profundidade e tem 550 km² de área - Buenos Aires tem 203 km².

Também dá para matar a sede pelo caminho. As ruas da Colônia Suíça, comunidade de descendentes do país europeu fundada em 1895, à margem da estrada do circuito, abrigam a cervejaria Berlina, uma das primeiras a produzir a bebida de forma artesanal em Bariloche. São 60 tipos de cerveja, incluindo alguns com cardamomo e café.

Além da cervejaria, Colônia tem lojas de artesanato e restaurantes especializados em trutas. Há diversos defumadores por ali, que produzem uma das formas mais populares de se consumir o peixe em Bariloche. Cervo e javali defumados também são muito apreciados na região.

Ainda no circuito Chico, vale a pena subir de teleférico ao Cerro Campanário, que fica a 1.049 metros de altitude. É o lugar ideal para ter uma visão completa dos lagos que cercam a cidade. O passeio custa 500 pesos (R$ 35) - crianças de 5 a 12 anos pagam metade.

As paradas do circuito revelam pequenas praias, protegidas pela mata. A água dos lagos é gelada e transparente. Nos dias mais quentes, os balneários são um bom local para fazer piquenique, praticar stand-up paddle e andar de caiaque. Os mais corajosos também podem nadar.

Outra opção para os aventureiros é a tirolesa nas montanhas. Por 1.900 pesos (R$ 133), com a empresa Canopy, o visitante entra em carro 4x4 e sobe por uma estrada de terra íngreme e esburacada até a base das atividades. Depois, desce escorregando em cabos de aço sobre as árvores.

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