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Parceria garante Centro de Convivência para familiares de crianças com câncer

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 4 min

Associação Bauruense de Combate ao Câncer (ABCC), Lions Club, Ministério Público do Trabalho (MPT), Justiça do Trabalho, McDonald's e Hospital Estadual de Bauru (HEB) resolveram se unir em prol dos familiares de crianças e adolescentes com câncer. Juntas, as instituições angariaram dinheiro suficiente para edificar um espaço destinado aos acompanhantes destes pacientes. A obra do Centro de Convivência deverá começar ainda neste semestre. A nova ala ficará entre dois barracões do Estadual.

Presidente da ABCC, Cristina Berriel Aidar explica que idealizou o projeto há cerca de três anos. "Muitos abandonam o tratamento, porque as famílias não têm condições de pagar pela hospedagem", justifica.

De acordo com ela, inicialmente, a entidade bancaria a construção da primeira etapa do Centro de Convivência, utilizando apenas os recursos do McDia Feliz, realizado sempre no terceiro sábado do mês de agosto.

No entanto, as outras instituições deram as suas respectivas contribuições, tornando viável a execução total da obra.

Ex-governador de Distrito do Lions Club e assessor do Lions Club International Foundation (LCIF), o coronel Manoel Messias Mello afirma que o hospital atende, por ano, uma média de 200 crianças e adolescentes com câncer. Anualmente, eles se submetem a 1,5 mil aplicações de quimioterapia.

Segundo Manoel, boa parte dos usuários vem de fora e as poucas acomodações da unidade não atendem a toda a demanda. "O Estadual atua em uma área de 68 municípios. Como o atendimento se dá através do SUS, muitas famílias estão em situação de vulnerabilidade social e precisam de hospedagem para dar continuidade ao tratamento dos pequenos", reforça.

Então, a ABCC contou com o apoio de um escritório de arquitetura, que desenhou um projeto de 264 metros quadrados de área construída. O local abrigará dez apartamentos, cada qual com duas camas, bem como um espaço de uso comum.

Dos R$ 731 mil necessários para a edificação do empreendimento, R$ 415 mil saíram da LCIF. A expectativa é de que as obras comecem ainda neste semestre e, a partir daí, o prazo de entrega deverá girar em torno de sete meses.

MAIS UMA AJUDA

Procurador do MPT, Rogério Rodrigues de Freitas relata que tomou conhecimento do projeto da ABCC por meio das redes sociais.

Até novembro de 2019, o MPT, o Ministério Público da União (MPU) e os Ministérios Públicos dos Estados tinham a possibilidade de reverter as indenizações decorrentes das ações judiciais, diretamente, para as entidades assistenciais.

Contudo, a Medida Provisória (MP) n.º 905, do governo federal, proibiu tal iniciativa. "De novembro de 2019 a abril de 2020, somos obrigados a encaminhar a verba para um fundo federal. Se a medida já existisse à época da destinação do dinheiro à ABCC, talvez, a entidade não conseguisse construir a nova ala", constata.

Um dia antes da MP entrar em vigor, a juíza titular da 1.ª Vara e diretora do Fórum Trabalhista de Bauru, Ana Cláudia Pires Ferreira de Lima, assinou a liberação de R$ 200 mil para a instituição local.

Assim como o procurador, a magistrada se diz contra a destinação do dinheiro para um fundo federal. "Estas indenizações têm, também, a função de reparar o dano moral coletivo, que precisa ser revertido para a própria região onde se manifestou", argumenta.

Ainda segundo ela, a ação civil pública que resultou na indenização de R$ 200 mil, revertidos à ABBC, envolveu uma multinacional da região de Bauru. "A empresa descumpria a legislação, no tocante à falta de fornecimento de Equipamentos de Proteção e outras questões", observa.

JUBILEU DE PRATA

Franqueado do McDonald's, em Bauru, Emerson Hortolan frisa que, na cidade, o McDia Feliz teve início há 25 anos. "A campanha ocorre sempre no terceiro sábado de agosto. Nesta data, todo o dinheiro obtido com a venda do Big Mac é revertido para a ABCC, que também faz a comercialização antecipada dos vales", completa.

Inclusive, ele adianta que a iniciativa deste ano já tem data marcada: 22 de agosto.

A diretora executiva do Estadual, Deborah Maciel Cavalcanti Rosa, ressalta que o setor de oncologia da unidade, formado pelas áreas de quimioterapia e, posteriormente, enfermaria, existe desde 2006.

De acordo com ela, o hospital já possui um barracão com dois quartos (um masculino e outro feminino), além de um banheiro. "Porém, nós não queremos dar apenas acomodação aos acompanhantes. Por isso, o projeto contempla TV, brinquedoteca e uma sala para eles desenvolverem alguma atividade, como artesanato", finaliza.

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