Em matéria veiculada no JC do dia 18 de fevereiro, pelo jornalista Thiago Navarro, ficou-se sabendo que por absoluta falta de manutenção os arcos da Estação Central de Bauru estão comprometidos e podem colocar em risco a vida das pessoas que ocupam importante espaço histórico da cidade ocupado pela Banda e Orquestra Sinfônica, Academia Bauruense de Letras, além de outros movimentos da sociedade civil como o Ponto de Cultura Acesso Hip Hop.
Com sua construção iniciada em 1935 e término e inauguração em 1939, a Estação Central é um dos marcos históricos ferroviários mais importantes da cidade e do país, pois marca o Período Histórico conhecido como Estado Novo (1930 - 1945), quando o ditador Getúlio Vargas dominou a nossa política, economia e corações e mentes através do rádio, da imprensa controlada pelo Departamento de Imprensa e Propaganda, das artes em geral e da música, onde deu espaço ao samba exaltação (do seu governo é lógico) para desgosto de parte das classes médias que consideravam o samba uma música de menor expressão.
A nossa Estação Central foi construída em Art Deco que exaltava a proposta industrialista de Getúlio Vargas e sua monumentalidade fora de escala deixava bem claro que o café de São Paulo o seu estilo arquitetônico, o Eclético, não teriam mais vez.
Além dessas questões, recebia a nossa estação mais de 24 trens de passageiros por dia mostrando a dinâmica desse modal de transporte, o ferroviário, que escoava cargas e milhares de passageiros. Devido a opções rodoviaristas, os governos do Partido Republicano Paulista - PRP - deixaram de lado as ferrovias, inclusive as paulistas, que foram pouco a pouco abandonadas, ficaram sem investimentos e começaram a falhar na sua missão de atender o público dando a impressão, errônea é claro, que o Ferroviarismo deveria ser colocado de lado.
Sem entender a importância histórica da nossa herança ferroviária sucessivos governos municipais não deram atenção ao magnífico acervo industrial ferroviário que Bauru possui deixando de lado sua manutenção e projetos que poderiam mostrar a população da cidade essa herança insuperável. Diga-se de passagem que esse abandono nunca foi aceito pelos profissionais da Secretaria da Cultura que sempre, de acordo com suas parcas possibilidades, lutaram e lutam para a manutenção dessa memória afetiva e histórica de milhares de ferroviários não nos esquecendo dos indígenas que foram mortos para termos acesso a modernidade ferroviária.
Agora, com a constatação que os poderosos arcos da Estação Central não suportam mais o peso do tempo, constatação inequívoca da defesa Civil, devemos nos curvar a falta de memória histórica e simplesmente aceitar a interdição do local, seu abandono e seu "desmoronamento histórico"?
Não é demais lembrar que a Faculdade de Engenharia de Bauru - antiga FEB, hoje Unesp Engenharia - foi pensada e inaugurada na década de 1960 para que engenheiros ali formados tivessem conhecimento de tecnologia ferroviária e desenvolvessem inovações na área.
Então, mãos à obra, vamos restaurar o presente da Estação Central e da nossa História, com auxílio da sociedade, políticos e seus partidos, instituições de ensino, o que um dia poderá ser usado outra vez como modal de transporte que hoje nos faz tanta falta. Bauru não pode virar as costas para sua História Ferroviária.