Uma lavagem de dinheiro milionária, iniciada em Bauru, é alvo de investigação por parte da Polícia Federal (PF). O principal investigado deste caso, um leiloeiro, teria aplicado cerca de R$ 600 milhões em movimentações financeiras omitidas da Receita Federal. Na terça-feira (3), a PF deflagrou a Operação Último Lance, que culminou em 16 mandados de busca e apreensão em Bauru (3), Pindamonhangaba (1), Franca (1) e São Paulo (11).
Delegado chefe da Polícia Federal de Bauru, Ênio Bianospino explica que a investigação, conduzida pelo delegado Gustavo Pachioni Martins, da Capital paulista, já passou de dois anos. "Ela ficou um semestre paralisada depois que o Supremo Tribunal Federal (STF) proibiu o uso das informações do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Isso trouxe prejuízo, porque se perde alguns rastros, mas nada muito grave", acrescenta.
De acordo com Bianospino, o delegado Gustavo Pachioni Martins obteve autorização judicial para utilizar os dados em questão. Eles dão conta de que o leiloeiro, que explorou o segmento, por muito tempo, na região de Bauru, conduzia elevadas movimentações financeiras, ligadas a algo em torno de 20 empresas.
Ainda segundo o delegado, o dinheiro circulava pelas contas bancárias de diversas pessoas jurídicas, a fim de que pudesse ser ocultado ou, muitas vezes, levado ao Exterior.
Bianospino afirma, também, que a suspeita apareceu, porque as empresas não possuíam endereço verdadeiro, capital social suficiente e empregados registrados. "Mesmo assim, movimentavam milhões de reais", aponta.
Em seguida, a instituição começou a identificar as pessoas ligadas ao alvo principal, cuja identidade não foi informada pela polícia. "Na prática, ele criava várias empresas em nome de terceiros, como pai, mãe, irmã, esposa e outros conhecidos, para sonegar os rendimentos que vinha auferindo", descreve.
Alguns estabelecimentos, inclusive, estão ligados à área de limpeza urbana. "Um deles era utilizado para desvio de recursos públicos em São Sebastião, no Litoral de São Paulo. A empresa foi alvo de apuração pela Operação Torniquete, da própria Polícia Federal", revela.
No entanto, a polícia ainda não conseguiu determinar a origem do dinheiro. Embora tenha começado há dois anos, a investigação teve acesso a dados bancários desde 2009.
Segundo Bianospino, o alvo principal também fez uma sequência de viagens ao Panamá, país comumente utilizado para os crimes de evasão de divisas e ocultação de patrimônio.
CONFISSÃO
Questionados, os investigados, em sua maioria, confessaram que cederam os seus nomes ao leiloeiro. Por outro lado, ninguém acabou preso. "O mandado só é expedido se alguém ameaçar fugir do País, constranger testemunhas ou destruir provas", justifica.
A Polícia Federal cumpriu 16 ordens de busca e apreensão em quatro cidades diferentes. Nelas, a instituição encontrou documentos que comprovaram as movimentações financeiras, como extratos bancários, escrituras de propriedades, procurações etc.
Nos autos, a polícia procurou demonstrar que os laranjas não tinham condições de circular tão elevada quantia em dinheiro. "Em Bauru, cumprimos três mandados de busca em residências de pessoas com empresas em seus nomes. Pequenos apartamentos ou casas, pertencentes a donos de estabelecimentos de movimentações financeiras altíssimas", constata.
O principal alvo, porém, não está mais em Bauru. "Ele mora na Capital paulista, assim como a maior parte dos outros 13 investigados. Tanto que a maioria das buscas se deu em São Paulo", observa.
O delegado informa que o crime central consiste na sonegação fiscal. Em seguida, vêm lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio, evasão de divisas, falsidade ideológica e uso de documento falso.
Agora, o material apreendido, entre documentos, celulares e HDs, passará por análise e a PF seguirá investigando o caso.