O Painel Intergovernamental sobre as Alterações Climáticas (IPCC), criado pelas Nações Unidas (ONU), apresentou um relatório dedicado aos efeitos das alterações climáticas nos oceanos e nas massas de gelo permanentes da Terra. A devastação dos mares e das regiões geladas devido às alterações climáticas é o grande problema apontado no documento.
É urgente priorizar "ações oportunas, ambiciosas e coordenadas" de forma a enfrentar estas mudanças "sem precedentes e duradouras" nos oceanos e na criosfera - regiões cobertas por gelo e neve permanentes e que constituem 10% da superfície do planeta -, alerta o relatório.
Durante este século, os oceanos poderão sofrer alterações "sem precedentes", com temperaturas mais altas, água mais ácida, menos oxigénio e condições alteradas de produção de recursos.
O gelo das regiões geladas, como o Ártico por exemplo, estão derretendo a um ritmo nunca antes registado e, em consequência, o nível dos oceanos está elevando pondo em causa a vida de mais de milhões de pessoas, advertem os cientistas.
Cerca de "670 milhões de pessoas nas regiões de alta montanha e 680 milhões de pessoas nas zonas costeiras mais baixas dependem diretamente destes sistemas". Por exemplo, pelo menos "4 milhões de pessoas vivem permanentemente na região do Ártico" e serão afetadas.
Mais 1ºC
A temperatura global já "atingiu 1ºC acima do nível pré-industrial", alertam os cientistas. Este aquecimento global deve-se às "emissões passadas e atuais de gases de efeito de estufa" e já há provas "esmagadoras de que isso pode provocar profundas consequências para os ecossistemas e as pessoas".
Os cientistas do painel constataram que os oceanos estão aumentando a temperatura desde 1970, absorvendo "mais de 90% do calor em excesso no sistema climático", com ondas de calor marinho duas vezes mais frequentes desde 1982.
O problema é que o degelo e a diminuição permanente das massas geladas ameaça libertar ainda mais dióxido de carbono e, assim, acelerar ainda mais esta devastação dos oceanos e da criosfera. O IPCC diz que esta subida do nível médio global dos oceanos foi acentuada no período de 2006 a 2015 em relação ao último século e a um ritmo de 3,6 milímetros por ano, atribuindo-a principalmente às massas de gelo e glaciares que derreteram.
Na Antártida, as perdas de gelo "triplicaram no período entre 2007 e 2016 em relação ao período 1997-2006", o relatório conclui que "a causa dominante da subida do nível médio do mar desde 1970 tem origem humana". Os cientistas preveem que a subida do nível dos oceanos atinja 15 milímetros por ano em 2100.
Os cientistas do painel dizem que uma "redução urgente das emissões de gases de efeito estufa" pode limitar e desacelerar as mudanças nos oceanos e na criosfera, assim como possivelmente preservar "os ecossistemas e os meios de subsistência".