Política

Cohab: Rodrigo e Gazzetta divergem sobre as dívidas

Thiago navarro
| Tempo de leitura: 3 min

A Comissão Especial de Inquérito (CEI) que apura irregularidades na Companhia de Habitação Popular de Bauru (Cohab) ouviu na manhã de ontem o ex-prefeito Rodrigo Agostinho (PSB), atual deputado federal, e o prefeito Clodoaldo Gazzetta (PSDB). Os dois divergiram sobre o pagamento da dívida entre a companhia e a Caixa. Para Rodrigo, o acordo de R$ 430 milhões deve ser formalizado. Já Gazzetta afirma que a companhia está contestando o montante e há possibilidade de redução.

Primeiro a falar na CEI, Rodrigo Agostinho destacou que no período em que esteve no cargo de prefeito, entre 2009 e 2016, não havia condição favorável para o parcelamento. "A Caixa abriu uma espécie de refinanciamento, com condições especiais, mas isso pode acabar a qualquer momento, inclusive o governo federal já sinalizou nesse sentido. Por isso, entendo que o município deve aderir agora", disse.

O atual prefeito, contudo, lembra que o valor pode cair bastante. "Esse valor ainda está sendo apurado pela Cohab, em tratativas com a Caixa. Além disso, se o governo federal for mudar esse desconto que está sendo concedido, vamos ser avisados com um mês de antecedência, período em que poderemos ainda aderir, caso seja viável. Por isso não assinamos nada", afirmou.

Se a companhia assinar o acordo com a Caixa, relativo aos débitos do FGTS, a Prefeitura de Bauru deve assumir boa parte da dívida, pagando cerca de R$ 2 milhões mensais, por 20 anos. O governo municipal aprovou na Câmara projeto de lei autorizando a renegociação, mas no mês passado a Casa de Leis derrubou o veto que acrescentava emenda com a minuta do contrato na lei. Na prática, inviabiliza a assinatura imediata, com necessidade do prefeito encaminhar novo projeto para a Câmara.

GASPARINI

Tanto Rodrigo como Gazzetta foram questionados pelos vereadores Coronel Meira (PSB) e Chiara Ranieri (DEM) sobre a relação deles com o ex-presidente da Cohab Edison Bastos Gasparini Jr.

Rodrigo disse que conheceu Gasparini antes de ser vereador e até então o relacionamento era mais por conta de estarem no mesmo partido - ambos foram do MDB. Ao vencer a eleição municipal de 2008, Rodrigo decidiu manter Gasparini Jr. no cargo que já ocupava desde 2005, quando foi nomeado pelo então prefeito Tuga Angerami.

"Na verdade, eu não sei se eu assinei um ato de posse para o presidente ou se foi mantido o que já tinha sido assinado pelo Tuga. O Gasparini ficou no cargo pelo conhecimento que há tinha. Fui até criticado, porque ele participou da campanha do meu adversário. A Cohab não tem mais função, pois o Minha Casa Minha Vida ocupou esse espaço. Vi o governo atual falando que poderia retomar a construção de moradias pela companhia, porém isso é inviável hoje", frisou.

O prefeito Gazzetta destacou que a permanência de Gasparini Jr. também se deu pela experiência do então presidente. "Meu contato com o Gasparini aconteceu no período em que fui secretário de Meio Ambiente, no governo do Tidei de Lima, e ele era vereador e líder do prefeito na Câmara. Voltamos a nos falar mais após a campanha eleitoral de 2016, ele me apoiou no segundo turno e mantive ele como presidente pelo conhecimento que tinha da companhia. Não compactuamos com qualquer indício de corrupção, assim que a investigação foi iniciada, ele saiu", comentou.

O contador Francisco Jair Gonçalves Vella, que trabalhou entre janeiro e junho de 2005 na Cohab, também foi ouvido ontem e confirmou que a companhia não pagou o seguro habitacional para a Caixa no período. Participaram das oitivas os vereadores Natalino das Silva (PV), Markinho Souza (PP), Sandro Bussola (PDT), Pastor Luiz Barbosa (PRB), Coronel Meira (PSB), Chiara Ranieri (DEM), Carlinhos do PS (PV), Carlão do Gás (MDB) e José Roberto Segalla (DEM).

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