Em 8 de março comemoramos o Dia Internacional da Mulher. Em seu 45º ano de vigência, podemos evidenciar avanços significativos na pauta feminina e, com certeza, estamos hoje muito mais próximos da igualdade do que estávamos em 1975, quando a data foi oficializada. Há, no entanto, um longo caminho a ser percorrido, fato evidenciado pelas estatísticas crescentes de violência contra a mulher, pela sub-representação política e pelos ataques machistas potencializados pelas redes sociais e ecoados pelo mais alto representante da República. Se vivenciamos tempos difíceis também é verdade que 2020 nos apresenta oportunidades. Neste ano elegeremos representantes para as Câmaras Municipais e Prefeituras. Somente em São Paulo serão 645 novos prefeitos e cerca de sete mil vereadores. A indagação, no entanto, é quantas dessas vagas serão ocupadas por mulheres?
O Brasil possuiu um dos piores indicadores de representação feminina nos parlamentos da América Latina, segundo a Inter-Parliamentary Union, e está dez pontos percentuais abaixo da média global apesar de as mulheres serem 51% do eleitorado. Apenas 1 de cada 7 vereadores eleitos é mulher. E o resultado das últimas eleições municipais (2016) apontaram que 1 em 4 cidades de São Paulo, ou 159 dos 645 municípios paulistas, não tem uma vereadora sequer. A sub-representação da mulher tem consequências no dia a dia do país. Sua ausência restringe o olhar sobre as políticas públicas e retarda avanços sobre pautas femininas, como a violência e a promoção da igualdade. E, sim, ainda há muito por fazer pelas brasileiras, que ocupam hoje o posto de chefes de família em 40,5% dos lares, mas recebem salários 20% menores que os homens. A cada ano, 1,3 milhão de mulheres são agredidas no Brasil e os casos de estupro disparam nas estatísticas.
É preciso fazer desta uma eleição diferente. Segundo o DataSenado, a baixa participação eleitoral das mulheres se dá pela visão de que elas não terão igualdade de condições na disputa com os homens. Em média, a chance de um homem se eleger no Brasil é 2,5 vezes maior que a de uma mulher (em São Paulo é de 2,1). Cotas e recursos ajudaram a elevar a participação feminina nas eleições de 2018, mas são insuficientes. É preciso que os partidos abram suas portas e deem suporte às candidatas, estimulando, fornecendo estrutura e financiando para além dos 30% regulamentados por lei.
No PSDB de São Paulo, por determinação do governador João Doria, trabalhamos para envolver as mulheres na disputa eleitoral, estimulando novas lideranças a participarem do processo. É hora de virar o jogo e mostrar que a força feminina, já evidente na vida privada, é também vital na vida pública, beneficiando a sociedade e propiciando uma nova visão ao Brasil.