Pesca & Lazer

Pescaria em Ayolas - 4


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Considerado peixe em extinção, era encontrado na bacia do rio paraná em volumosos cardumes até uns 30 anos, desaparecendo de seu habitat sem convencedoras explicações.

A experiência dos antigos pescadores descrevem a piracanjuba como parte da família do dourado, da piraputanga e da matrinxã. Luiz Pegoraro contou que há muitos anos, nos tempos de solteiro, pescou muitas piracanjubas no rio paraná, região de Panorama.

Raramente há notícias desse peixe nos rios em que tempos atrás viviam em cardumes para a exultação dos pirangueiros. Um fato inesperado sobreveio durante a diversão, causando-me bastante preocupação. Ao retirar o anzol de uma piapara, no piso do barco, o peixe deu um safanão deixando o anzol atravessado no meu polegar direito. A linha foi imediatamente cortada pelo meu companheiro de pesca, ficando parte dela presa ao anzol no meu dedo.

A ponta do metal não chegou a atravessar o dedo porque seu percurso foi interrompido pela unha. Fiquei aterrorizado com o episódio, pensando na distância que estávamos da cidade de Ayolas e o tempo consumido até o socorro médico, poderiam gerar uma infecção.

Os companheiros dos outros barcos, percebendo o problema procuraram alguém que pudesse, ali mesmo, solucionar o imprevisto. Um deles, Vital Negrão, sócio de um pesqueiro aqui em Bauru aproximou-se, pegou meu polegar e tranquilizou-me dizendo: Vou retirar esse anzol com o alicate. Já fiz esse trabalho antes em pescadores de meu pesqueiro. Vai doer um pouco por falta de anestesia, mas colocarei um pouco de aguardente como desinfetante. A pinga também é boa para afastar infecção, só não consegue afastar o viciado.

Com o alicate, Vital segurou a base do gancho no elo do anzol que amarra a linha. Em seguida deu um quarto de volta no elo, deslocando a ponta do anzol da unha. Seria necessário que a farpa do anzol saísse do interior do polegar, rompendo a carne do dedo para ser cortada, e para isso, Vital fez um movimento com a alicate, deixando aparecer o ponteiro do anzol ao lado da unha. Restava concluir a mini cirurgia, até ali indolor e executada com maestria. Foi cortada a ponta do anzol e o alicate voltou a segurar sua base, o elo, girando no sentido contrário ao percorrido pelo anzol, o qual, enfim, deixou o polegar livre do corpo estranho e, incrivelmente, em condições de continuar com a pescaria que seguiu até por volta das 13,00h. Micro cirurgia realizada com sucesso, com uso de alicate e pinga.

Essa passagem da história, calha como exemplo daquilo que escrevi um pouco acima, afirmando que nem sempre a clareza das palavras explica melhor um acontecimento do que se fosse presenciado. As palavras mesmo que bem textualizadas não atingem com precisão o real acontecimento do fato, malgrado o escritor tenha se esforçado para isso.

Alfredo Enéias Gonçalves d'Abril,

pescador aposentado

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