Começam a ser indicados, em todo o país, os candidatos a prefeitos e vereadores. Para vermos vinhetas de TV e recebermos folhetos, 'santinhos' e mensagens eletrônicas, dizendo que serão resolvidos os problemas da saúde, educação, segurança, habitação e saneamento básico, foram reservados 2 bilhões de reais, retirados das verbas dessas mesmas necessidades.
Fica difícil entender como os futuros candidatos se animam a pretender administrar as prefeituras desfalcadas de recursos e ainda mais, as que enfrentam a fúria das chuvas, usando para propaganda o dinheiro que poderia ajudá-las.
Se o interesse político fosse atendido essa verba teria sido de R$ 3,8 bi, mas mesmo assim, o custo das eleições deste ano ainda é alto, porque conta com verbas do Fundo Partidário e as despesas da Justiça Eleitoral para realizá-las. É muito gasto para um país destroçado, mas é de interesse público porque é essencial para a manutenção da democracia. Pronto, está justificado o interesse dos políticos, mas e o interesse do povo, nas circunstâncias atuais, castigado até pela natureza?
Para o jurista Bandeira de Mello, o "interesse público é o interesse resultante do conjunto dos interesses que os indivíduos pessoalmente têm quando considerados em sua qualidade de membros da Sociedade e pelo simples fato de o serem" Povo e políticos, como partes do conjunto têm os mesmos interesses, mas segundo as condições socioeconômicas de cada um os interesses seguem uma hierarquia de necessidades que vão desde as necessidades básicas de alimentação, habitação, abrigo, saúde, segurança, vida social, até a autorrealização, numa pirâmide de cinco degraus, conforme o psicólogo Abraham Maslow.
Os políticos, de modo geral, situam-se nos níveis mais altos e estão mais empenhados em conseguir acesso ao poder, receber dinheiro público por direitos de posições que venham a ocupar; por prestígio e por inclinações ideológicas ou religiosas. Para consegui-las fazem promessas enganosas, usando falas e comportamentos bajulatórios. Passadas as eleições as promessas são ignoradas, mas a cantilena continua, principalmente nos parlamentos. E o povo continuará lutando para sobreviver.
Esse comportamento é atávico. Yuval Harari, em o 'Sapiens', falando sobre o comportamento de chimpanzés, quando os machos disputam a conquista da posição alfa no grupo diz: "Os laços entre os membros da coalizão se baseiam em contato íntimo diário - abraçar, tocar, beijar, alisar e fazer favores mútuos. Assim como os políticos humanos em campanha eleitoral saem por aí distribuindo apertos de mãos e beijando bebes."