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Em três anos, dobra o número de adultos com sífilis em Bauru

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 2 min

Infecção Sexualmente Transmissível (IST), a sífilis se espalha cada vez mais, principalmente, entre os jovens. Em Bauru, o número de casos da doença dobrou de 2017 a 2019. No ano passado todo, havia 394 ocorrências da condição em adultos, contra 193 de 2017 e 323 de 2018. O município utiliza três frentes para minimizar o problema: educação sexual, diagnóstico precoce e tratamento acessível. Tudo gratuito.

Coordenadora do Programa IST/HIV/Aids e Hepatites Virais, Josiane Fernandes Lozigia Carrapato afirma que a sífilis aumentou por uma série de motivos. Um deles, segundo ela, consiste no fato de a doença passar a ter notificação compulsória a partir de 2010. Antes, os serviços de saúde comunicavam, obrigatoriamente, apenas casos envolvendo gestantes e crianças.

Outra questão, de acordo com a especialista, corresponde à faixa etária mais atingida pela infecção: jovens de 20 a 29 anos. "Eles deixaram de usar preservativo, único método de dupla proteção, contra a gravidez e as ISTs", acrescenta.

Para Josiane, tal decisão está relacionada ao excesso de confiança em relação à ideia de que as infecções do tipo não são mais fatais. "Hoje, quando se fala em Aids, o pessoal pensa somente em uma doença crônica, porque tem tratamento", completa.

Paralelamente, os jovens também apresentam baixa autoestima. "Quem se gosta não faz sexo sem se prevenir. A falta de confiança neles próprios decorre das relações familiares frágeis, que contam com pouco ou nenhum afeto e diálogo", explica.

RACIONAMENTO

Ainda segundo a coordenadora do Programa IST/HIV/Aids e Hepatites Virais, de 2016 para cá, o mundo sofre com a escassez de benzilpenicilina benzatina, a Benzetacil. O medicamento é o mais indicado para combater a sífilis.

Josiane informa que outros remédios podem substituí-lo, mas prolongam o tratamento. "Até hoje, existe falta e, por isso, priorizamos gestantes e crianças. Os demais acabam desistindo. Eles também o fazem quando a Benzetacil está disponível, porque as injeções costumam ser dolorosas", justifica.

De acordo com ela, todas as unidades de saúde estão aptas para diagnosticar e tratar a doença. O chamado teste rápido para sífilis, hepatites B e C, além de HIV, fica pronto em 20 minutos.

No caso da sífilis, Josiane frisa que, se o resultado der positivo, é de praxe pedir um exame complementar, o VDRL. "Precisamos saber se a pessoa, de fato, está com a bactéria ativa ou abriga apenas a cicatriz imunológica", observa.

Caso o paciente se encaixe na primeira circunstância, precisa se submeter ao tratamento, que dura, em média, três semanas.

SERVIÇO

Qualquer Unidade Básica de Saúde (UBS) realiza o exame, assim como o Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA), que o faz com hora marcada. Para tanto, basta entrar em contato através do telefone (14) 3234-2576, que funciona de segunda a sexta-feira, das 7h às 17h.

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