O avanço do coronavírus no País e a ameaça real de uma epidemia em Bauru têm gerado inúmeras suspensões de eventos e alterações na rotina de órgãos públicos e empresas nos últimos dias (leia mais abaixo). As medidas de restrição, contudo, só adiantarão e poderão conter uma possível explosão de casos se a população entender que contenção social não é folga e nem férias. O alerta é da Vigilância Epidemiológica do município.
"É uma medida de saúde pública, não é festa e nem férias. Se a pessoa ficar circulando pela cidade em confraternizações e chácaras, vai continuar a disseminação do vírus. Só conseguiremos barrar a epidemia se cada um ficar na sua casa. São Paulo é logo ali. É questão de tempo para chegar o vírus aqui e, quanto mais isolamento, mais a chegada é retardada", ressalta Ezequiel Santos, diretor da Vigilância Epidemiológica de Bauru. "Quanto mais você aumentar seu contato social, mais você multiplica as chances de propagação do vírus", acrescenta.
Nos últimos dias, vários artistas fizeram apelos utilizando as redes sociais, pedindo que a população respeite a contenção social, que tem sido chamada popularmente de "quarentena" (entenda a diferença no glossário ao lado).
"Parece que as pessoas não entenderam claramente que é necessário que se tome uma atitude de quarentena. Não é para a gente ver bares cheios e praias cheias. Se suspenderam as aulas para as crianças, é para haver recolhimento. A ideia é de quarentena. É preciso enfrentar isso com clareza, com coragem e responsabilidade", disse Caetano Veloso, em vídeo no Instagram.
TRANSMISSIBILIDADE
Ezequiel Santos esclarece que o cuidado é necessário em razão da capacidade de transmissibilidade do Covid-19, em que uma pessoa é capaz de infectar outras oito, mesmo antes de apresentar sintomas.
Apenas os sintomas são tratados e, em casos graves, há suporte ventilatório, ficando a cargo do organismo combater o vírus.
O diretor da Vigilância Epidemiológica ressalta ainda que a Secretaria Municipal de Saúde não tem interesse algum em esconder números de casos da doença. "Pelo contrário, queremos divulgar. Afinal, 90% da ação para conter o vírus parte da própria população. O 'milagre' está no bom senso em evitar sair de casa e na educação sanitária e uso da etiqueta respiratória pelas pessoas", frisa Ezequiel (leia mais nas páginas 5, 7, 9, 10, 11, 14, 15, 16, 17 e 18).