Com o intuito de definir políticas públicas mais eficazes em relação ao enfrentamento da pandemia do novo coronavírus (Covid-19), a Prefeitura de Bauru pediu para o governo estadual descentralizar o diagnóstico da doença, feito pelo Instituto Adolfo Lutz, na Capital Paulista. O prefeito Clodoaldo Gazzetta (PSDB), inclusive, solicitou que os exames da população local fossem analisados por um dos laboratórios regionais do órgão, situado no município, proporcionando maior celeridade. Na quinta-feira (19), ele detalhou diversas ações envolvendo o combate à doença em uma coletiva de imprensa, realizada na área externa do Palácio das Cerejeiras.
De acordo com Gazzetta, a cidade possui, até o momento, 29 ocorrências suspeitas da Covid-19 e nenhuma confirmação (leia mais ao lado). "Infelizmente, os exames estão demorando mais do que o recomendado. Quando você tem um diagnóstico rápido, consegue definir melhor o seu plano de ação", justifica.
Ainda segundo ele, o Adolfo Lutz, em Bauru, já conta com os equipamentos necessários para a realização dos testes. "Nós só compraríamos os insumos e, por isso, espero obter uma resposta do governo estadual até sexta-feira (20)", acrescenta.
Por enquanto, o prefeito não chegou a mensurar o investimento necessário para a execução de tal procedimento. "Nós estamos agindo como se já tivéssemos casos confirmados da Covid-19, mas reforço que, assim que isso acontecer, avisaremos os bauruenses", frisa.
Se houver uma negativa por parte do Estado, Gazzetta trabalha com uma segunda opção: a aquisição de exames. "A Unesp, em Botucatu, está vendendo cada teste por R$ 75,00. Nós compraríamos apenas para diagnosticar pessoas com sintomas graves ou histórico de contato com contaminados", antecipa.
A reportagem acionou o Estado para saber sobre a possibilidade de execução dos testes em Bauru. Contudo, a Secretaria Estadual de Saúde não respondeu o questionamento. "O Instituto Adolfo Lutz é a referência estadual para a análise do novo coronavírus, de acordo com as diretrizes do Ministério da Saúde. Conforme definido pelo Ministério, todos os laboratórios públicos ou privados que identificarem casos confirmados pela primeira vez, adotando o exame específico, devem passar por validação de um dos três laboratórios de referência nacional, como é o caso do Lutz, em SP. Após a validação da qualidade, o laboratório passará a ser considerado parte da Rede Nacional de Alerta e Resposta às Emergências em Saúde Pública, para investigação do coronavírus", diz.
POSSIBILIDADE
Embora o prefeito se mostre atento à crise, algumas ações ainda estão no campo da possibilidade, como a abertura do Hospital das Clínicas (HC) da USP, oferecendo 222 leitos (leia mais na página 3).
De acordo com o chefe do Executivo municipal, o governador João Dória (PSDB) deverá autorizar tal medida através do Plano de Contingência do Estado de São Paulo. No entanto, Gazzetta não estabeleceu qualquer prazo.
RECOMENDAÇÕES
O prefeito também traz diversas recomendações, descritas pelo Comitê Gestor de Enfrentamento à Covid-19, à população. O grupo, aliás, é composto por técnicos e especialistas da Secretaria Municipal de Saúde.
Em primeiro lugar, Gazzetta pediu que as pessoas fiquem em casa. "É necessário compreensão e responsabilidade em relação aos cuidados básicos, como higienizar as mãos constantemente", complementa.
Se o munícipe apresentar qualquer sintoma, deve procurar pela Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima. Caso haja histórico de contato com quem teve a doença ou viajou para fora do País, o prefeito informa que a equipe médica tomará as precauções necessárias, recomendando o isolamento social ou, em situações mais graves, a internação.
Titular da Secretaria Municipal de Saúde, Sérgio Henrique Antônio reforça que o papel da pasta, hoje, é informar, vigiar e prevenir. "Por enquanto, estamos em alerta, não emergência, porque não registramos qualquer caso confirmado da doença. Mesmo assim, a população deve permanecer em casa, principalmente, os idosos, que compõem o grupo de risco", observa.
Além disso, o secretário revela que a Saúde dividiu a cidade em quatro grandes territórios, criando os Núcleos de Vigilância Epidemiológica, que acompanharão o andamento da doença.
NADA DE ESTOCAR
Representante da Câmara de Vereadores de Bauru, a médica endocrinologista Telma Gobbi (SD) pediu para a população comprar a quantidade necessária de máscaras ou álcool em gel 70%. "Não adianta você ter um estoque em casa e o outro não conseguir se prevenir", explica.
Já o presidente da Associação Paulista de Medicina (APM), Marcos Cabello dos Santos, garante que a classe médica apoia o município. "Estamos à disposição e as medidas tomadas nos parecem corretas, mas o maior caminho ainda corresponde ao diálogo", finaliza.