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Médico pede cautela com cloroquina

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 2 min

Apontadas como promissoras contra o coronavírus (Covid-19), as medicações cloroquina e hidroxicloroquina - que é variante da mesma droga - já sumiram das farmácias em Bauru, mesmo com testes preliminares e ainda inconclusivos. O problema é que a falta do medicamento nas prateleiras tem prejudicado pacientes de doenças reumáticas e autoimunes, que dependem dele para sobreviver.

O Ministério da Saúde lançou alerta contra a compra injustificada e dizendo que, caso haja comprovação do benefício, assegurará a disponibilização no País para todos que precisem.

"Até o momento, o Ministério esclarece que não há nenhum medicamento, substância, vitamina, alimento específico ou vacina que possa prevenir a infecção pelo coronavírus. Embora os dados sejam promissores, os estudos ainda são insuficientes", diz o órgão, em nota.

DESFALQUE

Em pesquisa feita pela reportagem nesta sexta (19), o produto estava em falta em, ao menos, oito farmácias de Bauru. Sobre o esgotamento, a maioria dos estabelecimentos informou que há desabastecimento nas distribuidoras e que, quando o produto for encontrado, a venda será apenas com receita médica (leia mais abaixo).

Em entrevista ao JC, Carlos Magno Fortaleza, médico infectologista do Comitê de Contingência do Coronavírus em São Paulo, criticou a compra injustificada por parte da população. "Os estudos em relação aos efeitos da substância contra a Covid-19 são muito preliminares, feitos em cultura de células, o que não significa que funcionará em humanos. E não é um medicamento isento de efeitos colaterais. Pelo contrário, pode causar danos oculares", afirma Fortaleza. "E, em pessoas idosas, os efeitos ruins são multiplicados", alerta.

Os princípios ativos em questão são usados também no tratamento para malária. "É um medicamento importante também para eventuais casos de malária, que são muito registrados no Norte do País, mas que, por vezes, os hospitais da nossa região recebem casos da doença", reforça o médico.

'DEPENDO DELA'

O desfalque tem tirado o sono de uma moradora de Bauru de 42 anos, que possui trombofilia autoimune, doença semelhante ao lúpus. "Eu tenho que tomar essa medicação duas vezes por dia, dependo dela. Procurei via telefone em todas as farmácias. Por sorte, consegui mandar manipular, do contrário ficaria sem. Tem muita gente comprando para tentar se proteger do coronavírus, mas ainda está em teste. Remédio não é água", comenta a mulher, que pediu para não ser identificada. "Dependo desse medicamento para sobreviver. A doença que eu tenho faz sofrer. E a cloroquina me dá um pouco mais de qualidade de vida, ou teria que ir ao hospital sempre", finaliza a paciente.

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