Manusear substâncias inflamáveis em casa não é seguro; seu armazenamento em locais de trabalho chega a gerar adicional de periculosidade aos trabalhadores da empresa envolvida, como diz um parecer do Tribunal Superior do Trabalho.
Hoje, a Anvisa permite somente a compradores especializados a comercialização de álcool líquido em grande concentração. Pelos riscos de manuseio, alerta o professor Fábio Rodrigues, do Instituto de Química da USP, o público em geral não deve manipular o álcool 70 em versão líquida. O álcool em altas concentrações não só é inflamável como também solta um vapor que pode pegar fogo, diz.
A procura pela receita caseira pode ser entendida como um reflexo da falta do produto industrial nas prateleiras de mercados e farmácias. Em resposta a esse quadro, a própria Anvisa, nesta sexta (20), flexibilizou as regras de venda e produção do álcool em gel pelos próximos 180 dias. A resolução dá permissão, por exemplo, para que empresas de medicamentos, desinfetantes e cosméticos, devidamente regularizadas, possam vender.
Em diferentes pontos do país, já houve apreensões do produto caseiro. Também houve estabelecimentos interditados pelo Procon por prática abusiva, como uma farmácia em São Leopoldo (RS), que vendia álcool em gel a R$ 300. Em São Paulo, um comerciante comprou um estoque de frascos de bolsa para vender a preço justo.
Finalmente, é consenso entre os especialistas que, na falta de álcool em gel, é melhor usar o álcool 70 líquido sozinho, apesar do risco de acidentes, do que a solução caseira, já que esta pode causar de irritações a inflamações na pele.
Mesmo assim, o melhor método de prevenção à contaminação por coronavírus continua sendo a tradicional lavagem com água e sabão, por ao menos 20 segundos.