A primeira vez que o mundo esteve ameaçado, no tocante a uma tragédia, foi quando Noé foi convocado por Deus para que construísse uma arca e nela acomodasse um casal de cada ser vivente. A partir deste relato bíblico, os videntes de plantão, vez ou outra, vêm a público anunciar uma tragédia. Suas previsões bombásticas normalmente são para falar sobre o fim do mundo, determinando inclusive a data que isto vai acontecer. O tempo passa, chega o dia anunciado e nada acontece. Os telejornais ainda tentam esmiuçar o assunto, a população respira aliviada, os videntes de plantão desaparecem e a vida dos mortais retorna à sua rotina normal.
Na realidade, o que as pessoas não sabem ou ignoram é que o mundo já vem se decompondo e morrendo já há algum tempo, bem debaixo do nosso nariz. A tragédia propriamente dita, que se espera que aconteça de surpresa, já vem acontecendo há milhares de anos e as pessoas não enxergam. Quanta coisa tem acontecido ao longo dos tempos, desde que o mundo é mundo - dilúvio, surtos, terremotos, pestes, enchentes, terrorismos, tsunamis, endemias, incêndios, epidemias, atentados, pandemias...
Agora surge o coronavírus (Covid-19) e as pessoas entram em pânico. As cidades ficam literalmente desertas, os supermercados acabam desabastecidos, os shoppings reduzem o horário, o comércio fecha as portas, restaurantes, cinemas, cafeterias fecham e os empregados são aconselhados a trabalhar em home office. Autoridades começaram a proibir eventos esportivos, religiosos, musicais, lazeres, educacionais, que envolvam aglomerações de mais de cem pessoas. Nada de abraços, beijos e apenas um toque com os pés ou cotovelos na hora de se cumprimentar.
As fake news se aproveitam da situação e voltam a atacar, divulgando coisas do arco da velha; os telejornais não falam de outra coisa que não seja o coronavírus. Os laboratórios iniciaram uma corrida na tentativa de, num curto espaço de tempo, descobrir uma vacina. mas até lá milhares de pessoas vão morrer. Foi assim com a varíola, gripe espanhola, peste negra, influenza, gripe asiática, tuberculose, gripe suína, HIV, cólera, gripe aviária, tifo, febre amarela, ebola, malária e tantas outras epidemias. Para se prevenir de uma infecção, fica o alerta da necessidade de se adotar diariamente medidas básicas de higiene. Como lavar as mãos, sempre que chegar de um ambiente externo, com bastante água e sabão, limpando o dorso, a palma e entre os dedos e unhas. O vírus está à solta, circulando pelo ar em busca de uma vítima.
Mas como costuma dizer meu avô Domingos - Não vai ser o coronavírus que vai por fim ao mundo.