Tribuna do Leitor

O CAMINHO DAS ÁGUAS

Sid Aguiar - pesquisador, especialista em sustentabilidade, Direito Ambiental e MBA em recursos hídricos.
| Tempo de leitura: 2 min

Muito bem antes das ciências ambientais descreverem nas teorias empregadas no âmbito dos estudos acadêmicos, os antigos conhecedores das lidas ancestrais já sabiam que as águas precisavam ser respeitadas para evitar danos. Com a evolução das ciências ambientais e biológicas e o advento das pesquisas e dos estudos acadêmicos, essas teorias estão cada vez mais comprovadas e menos praticadas pelas pessoas e por gestores públicos e empresariais. As cidades estão a cada dia confinando os leitos dos rios e proporcionando situações complicadas de interrupções de drenagens nos períodos de chuvas intensas. As canalizações e retificações de canais de rios junto com os comportamentos errados das populações urbanas, descartando lixos nas ruas e em lugares impróprios, formam uma combinação explosiva em épocas de chuvas torrenciais.

Um dos princípios fundamentais da hidráulica na condução dos fluídos é dar caminho para que os fluxos sejam conduzidos com segurança pelos canais. Esse princípio aplica-se de forma bem clara nas questões de drenagens fluviais e urbanas. A ausência de gestão de águas e planejamento urbano são as causas principais da maioria dos eventos de enchentes e inundações ocorridas por meio de cheias fluviais e urbanas, em razão das alterações do meio ambiente urbano e biótico das estruturas hidrofluviais. Vimos nos noticiários grandes centros urbanos sendo inundados por deficiências de drenagens fluviais e urbanas, como resultados da falta de planejamento retroativo, onde rios e córregos foram canalizados sem estudos técnicos e, aumento desordenado de áreas impermeabilizadas, além das ocupações de áreas de riscos com consentimento dos entes públicos. É muito fácil e mais atrativo colocar a culpa pelos desastres ambientais nas chuvas e nos rios, do que reconhecer a falta de capacidade de gerenciar de forma técnica, preventiva e proativa as variáveis que podem amenizar danos.

É muito mais conveniente deixar as aparências das cidades mais apresentáveis, ao invés de funcionais. Para evitar ou amenizar infortúnios como vem ocorrendo de forma trágica em vários centros urbanos, é preciso deixar as cidades mais funcionais com dispositivos que possam contribuir de forma mais ativa nas prevenções. As águas sempre procurarão seu caminho natural e quando não encontrarem, elas sempre irão transpor as barreiras e seguir seu curso.

Os rios e as chuvas não são e nunca foram responsáveis por tragédias, as ocorrências acontecem em função dos comportamentos humanos inadequados como não saber gerenciar o desenvolvimento econômico e social com o ambiental, somados aos péssimos exemplos que as populações urbanas dão no dia-dia jogando lixos nas ruas e em lugares impróprios.

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