São Paulo - Os mercados acionários até ameaçaram alguma recuperação em meio às incontáveis medidas de bancos centrais e governos, mas o noticiário negativo envolvendo os efeitos econômicos do coronavírus não deu trégua e, na tarde de sexta (20), as Bolsas, aqui e em Wall Street, sucumbiram. Não por acaso, as Bolsas acumularam o pior desempenho semanal desde 2008, auge da última grande crise financeira.
O mercado começou a balançar quando o presidente dos EUA, Donald Trump, se mostrou crítico à recompra de ações de empresas e ampliou as restrições a viagens, desta vez incluindo o México. O Reino Unido também endureceu as regras de circulação e o governador de Nova York decretou que as pessoas devem ficar em casa, seguindo o exemplo da Califórnia.
Na semana, o Ibovespa acumulou perda de 18,88%, após ter cedido 15,63% na anterior, que já havia sido a pior desde outubro de 2008, quando o Ibovespa acumulou perda de 20,01% na semana até o dia 10 daquele mês, em meio à crise global. Assim, a semana que chegou ao fim foi a quinta de perdas consecutivas para o principal índice da B3: o último ganho foi o do período até 14 de fevereiro, de 0,54%, após ter ficado estável ( 0,01%) na semana anterior, até 7 de fevereiro, tendo renovado máxima histórica de fechamento em 23 de janeiro, aos 119.527,63 pontos.
"Os mercados estão ainda emocionais" , diz o estrategista-chefe da Levante, Rafael Bevilacqua. Petrobras voltou a cair, alinhada ao petróleo, que não conseguiu sustentar os ganhos. No mercado de câmbio, porém, houve algum alívio. As ações de governos e banco centrais sustentaram o dólar em queda, movimento aprofundado quando a autoridade monetária brasileira anunciou a realização de operações compromissadas em moeda estrangeira, em estratégia semelhante à já tentada durante a crise financeira de 2008.
A divisa americana chegou a ser negociada abaixo de R$ 5,00 no meio do dia, mas a piora do ambiente na etapa vespertina limitou a queda a 1,48%, cotada a R$ 5,0267 no mercado à vista. Na semana, contudo, acumulou forte alta de 4,37%, com avanço de mais de 25% no ano.
Na avaliação do economista-chefe para América Latina em Nova York do grupo financeiro ING, Gustavo Rangel, o BC mostra todo seu esforço ao usar as ferramentas possíveis para enfrentar os problemas de liquidez .