De acordo com os dados históricos da CBSk (Confederação Brasileira de Skate), desde que a atividade chegou ao Brasil, na transição da década de 1960 e 1970, o skate foi desenvolvido pela cultura do "faça você mesmo". Na época, skatistas fabricavam as próprias peças, criavam o formato dos campeonatos e organizações. Até que, no meio da década de 70, o mercado passou a tomar forma com marcas que começaram a dar corpo ao desenvolvimento do esporte.
Entre idas e vindas de alta e baixa do mercado, a atividade enfrentou até divergências políticas e econômicas. Em 1988, Jânio Quadros, prefeito de São Paulo, proibiu a prática do esporte na cidade. Pressionado, a decisão não se manteve. Enquanto isso, em 1990, o Plano Collor surgiu e devastou o mercado. Ainda com a economia em baixa, a década de 90 foi o principal período que consolidou o skate no País. Apenas a partir do ano 2000, surge a CBSk como órgão responsável pela organização da modalidade no Brasil.
BENEFÍCIO OU PREJUÍZO?
De acordo com a CBSk, a estimativa é de que o skate movimente mais de R$ 20 bilhões só em 2020. Além do aspecto econômico, o número de praticantes deverá manter a crescente. Pesquisa realizada pelo Datafolha aponta que o Brasil conta com 8 milhões de praticantes atualmente. Deste número, 2 milhões são mulheres, sendo 75% maior se comparado aos últimos três anos.
Em relação à estrutura, Eduardo Musa, presidente da CBSk, argumenta que existe o surgimento de novas pistas para a prática. "Nosso maior problema não é quantidade, e sim qualidade. Empresas sem expertise construíram ao longo dos anos, e nós, como órgão responsável, procuramos dar assistência técnica nesse sentido. Sem dúvidas, o movimento crescente de pistas de qualidade é uma certeza".
Para quem está nas pistas, a realidade não é sempre a mesma. Alexandre Cotinz, profissional e que vive unicamente do skate, aponta divergências em relação à economia. "Essa febre de competições dividiu o mercado. Claro que a crise econômica é um fator, mas as empresas criaram políticas de venda em massa, porém apenas grandes marcas conseguem acompanhar o ritmo. As outras de médio e pequeno porte não conseguem e quebram. Ou seja, concentra muita renda na mão de poucos skatistas. É quase um monopólio", explica e afirma que skatistas menos conhecidos passam por isso.
Kelvin Hoefler, profissional e atleta da seleção olímpica, concorda que as oportunidades diminuíram e as marcas estão mais seletivas. "Sair da área de conforto e correr atrás do sonho, um dia você irá colher. A luta para se tornar um skatista profissional não é fácil, e poucos sabem disso", argumenta em contraponto.
O atleta olímpico acredita que o esporte irá ganhar novas pistas e o reconhecimento midiático de uma forma mais ampla. Fato que, segundo ele, sempre foi necessário no meio. Mas ressalta a importância de que a essência seja sempre mantida. "O skate sempre sai ganhando quando alguém começa a andar. No fim de tudo, todos somos skatistas", completa.
Por outro lado, Cotinz aposta que o benefício será para os projetos sociais que usam o skate como forma de inclusão social, já que, com maior visibilidade, haverá mais apoiadores da causa.