A Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB) da Universidade de São Paulo (USP) se dispôs a realizar os exames laboratoriais sobre a Covid-19. A instituição passará por processo de habilitação junto ao Instituto Adolfo Lutz. A medida ocorre após anúncio do governador João Doria, nesta segunda-feira (23), sobre a criação de uma rede de testes para o coronavírus no Estado, com parceria da USP e Instituto Butantan, na tentativa de acelerar a emissão de resultados. Bauru, por exemplo, está há 13 dias sem confirmações ou descartes do Adolfo Lutz e os casos suspeitos da doença subiram para 57 no último balanço (leia mais na página 6).
Diretor da FOB/USP e coordenador do Laboratório de Farmacologia da instituição, o professor Carlos Ferreira dos Santos diz que o local possui plenas condições para realização dos exames e estrutura que conta com equipe técnica de quatro servidores e mais voluntários, que, inclusive, já se prontificaram a ajudar.
"Estamos na expectativa e queremos muito ajudar. Enviei toda documentação para a coordenação [da USP] em São Paulo e descrevi o parque de equipamentos que temos e a equipe. Precisaríamos de insumos, porque maquinários temos na FOB", afirma o diretor sobre a possibilidade de realização do exame "RT-PCR em tempo real", que aponta se a amostra é positiva ou negativa para carga viral.
A documentação é analisada pelo Instituto Adolfo Lutz, responsável pela habilitação, que é feita em etapas.
Ainda não é possível estimar quantos exames o laboratório da FOB conseguiria realizar, em razão do desconhecimento do protocolo preconizado pelo instituto. "Não sabemos se as amostras serão duplicadas, triplicadas ou quadruplicadas", cita Santos.
DEMORA E PRIORIDADES
Antes, a espera pelo resultado emitido pelo Adolfo Lutz era de 72 horas, mas aumentou para 15 dias em razão da alta demanda recebida de todo o Estado. O instituto diz que tem priorizado os exames visando diagnóstico do vírus SARS-CoV-2 de casos graves e óbitos.
O Adolfo Luz afirma também que eles devem ser solicitados ainda para unidades sentinelas e profissionais de saúde. "O teste diagnóstico não deve ser realizado em pessoas assintomáticas. A medida visa a otimização e uso racional dos testes, devido à situação pandêmica e a disponibilidade dos insumos em âmbito mundial", cita o instituto, em nota enviada pelo Estado.
"O teste não impacta no tratamento da pessoa, que é feito apenas do ponto de vista clínico, e o acompanhamento do cenário da Covid-19 também pode ser embasado no critério clínico-epidemiológico, assim como ocorre com outras doenças infecciosas", completa o Adolfo Lutz.
PEDIDO REFORÇADO
Com a rede de testes criada pelo governo do Estado junto à USP e ao Instituto Butantan, a capacidade deve ser dobrada, indo de 1 mil para de 2 mil exames.
O prefeito Clodoaldo Gazzetta acredita que, com a rede, a espera por resultados caia para até quatro dias. Ele também reforçou pedido junto ao Estado para que a unidade regional de Bauru do Adolfo Lutz passe a receber insumos para realizar os testes. "Eles possuem seis máquinas para detecção lá. Com mais essa ampliação, gostaríamos de tentar reduzir a espera pelos resultados de exames laboratoriais para um dia. Vamos insistir nessas medidas", pontua.
"Precisamos ter precaução frente aos números. A epidemia é esperada em Bauru, as pessoas não podem levar na brincadeira. Temos tentado conscientizar a população para frear a contaminação de muita gente ao mesmo tempo. Queremos evitar o caos no sistema de Saúde", finaliza Gazzetta.