A Prefeitura de Bauru e a Secretaria Municipal de Saúde descartaram o afrouxamento das medidas de contenção social e restrições de comércio e serviços adotadas na cidade em razão do coronavírus (Covid-19). O posicionamento vai na contramão do chamado "lockdown vertical", defendido pelo presidente Jair Bolsonaro, no qual apenas pessoas do grupo de risco seriam isoladas.
Ao rejeitarem a medida, tanto o prefeito Clodoaldo Gazzetta quanto o secretário municipal de Saúde, Sérgio Henrique Antonio, ressaltaram que a cidade está alinhada com as recomendações da Secretaria Estadual de Saúde e da Organização Mundial de Saúde (OMS). E que, se, eventualmente, o Ministério da Saúde adotar o isolamento vertical, o município não irá respeitar.
"Não há a mínima possibilidade de isso acontecer neste momento. O isolamento da população e as restrições impostas pela prefeitura não serão revertidos agora. Tomamos como referência todos os países que adotaram este mesmo isolamento e que tiveram redução de casos por causa disso. O presidente tem grande autoridade, mas o poder absoluto no município é do prefeito", afirma Gazzetta, dizendo que só seguiria uma medida federal do tipo caso houvesse a mudança da concepção de epidemia no País e a comprovação de benefício aos municípios. O prefeito, inclusive, divulgou nas redes sociais um vídeo com seu posicionamento, na tarde desta quarta-feira (25).
Secretário de Saúde, o médico Sérgio Antonio considera absurdo o isolamento somente de grupos de risco da Covid-19. "Qualquer pessoa pode ser contaminada e desenvolver a forma grave da doença. Temos casos graves suspeitos de um homem de 31 anos no Hospital Estadual e outro de 49 anos em hospital particular. Até criança com suspeita temos na cidade", reforça Sérgio.
E A ECONOMIA?
Segundo Gazzetta, a cidade não está parada, embora pareça para muita gente. "Temos vários estabelecimentos funcionando por meio de entregas, que estão liberadas. A economia está em movimento, bem menos que o normal, mas está. A proibição é para o acesso ao público, mas todos podem funcionar com delivery. Adotamos restrição mínima", completa.
Ele explica que o decreto municipal que restringiu comércio e serviços valerá, pelo menos, até que a cidade esteja preparada para enfrentar possível explosão de casos e epidemia. "Precisamos de um hospital de campanha e da compra de equipamentos. Se, hoje, liberarmos a normal circulação de pessoas, o número de casos pode explodir e não temos estrutura nenhuma para a epidemia", pontua Clodoaldo Gazzetta.