Um comitê formado por mais de 100 empresários de Bauru está se mobilizando para reivindicar do poder público municipal a retomada, mesmo que parcial, do funcionamento de estabelecimentos cujo atendimento ao público foi suspenso em razão da pandemia de coronavírus. O grupo chegou a enviar requerimento ao prefeito Clodoaldo Gazzetta para solicitar o agendamento de uma reunião.
O chefe do Executivo municipal, contudo, adiantou que não há, ao menos neste momento, como flexibilizar o decreto que proibiu a abertura de estabelecimentos comerciais e de serviços não essenciais em que haja aglomeração de pessoas. Na manhã desta sexta-feira (27), uma comissão de empresários se reunirá com alguns vereadores da cidade em busca de apoio.
GRUPO
Entre as empresas do comitê, estão pequenos e médios empreendimentos no ramo de vestuário, móveis, embalagens, suplementos, vistorias automotivas, autoescolas, salões de beleza e agências de turismo, entre outros. Uma das lideranças da mobilização, a empresária Gisele Dias de Souza Gomide, revela que a maioria dos estabelecimentos deu férias coletivas para seus empregados.
Sem dinheiro em caixa para, eventualmente, formalizar demissões, boa parte deles não conseguirá honrar o pagamento de salários no próximo mês. "Estas empresas serão alvos de uma avalanche de ações trabalhistas. Os empresários não vão conseguir pagar salários e estão tentando negociar débitos com fornecedores. O todo que envolve a pandemia de coronavírus não está sendo analisado", reclama.
REIVINDICAÇÃO
Gisele destaca que o pedido dos empresários não é para a reabertura irrestrita dos estabelecimentos, mas sim que sejam discutidos, em conjunto com o poder público, soluções para garantir o atendimento ao público com a maior segurança possível. "Por exemplo, uma barreira poderia ser colocada para o cliente não ficar próximo da atendente. Poderia haver restrição de acesso a um número limite de pessoas. E continuar exigindo que os idosos e as demais pessoas do grupo de risco continuem em isolamento. O que não dá é proibir tudo. A economia não pode parar", argumenta.
Procurado pela reportagem, Gazzetta informou que continuará seguindo as recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS), do Ministério da Saúde e da Secretaria de Estado da Saúde. "Neste momento, que estamos no processo de crescimento da curva da epidemia, não há como discutir uma possível reabertura destes estabelecimentos. O que a gente recomenda é o que muitos deles já estão fazendo: entregas por delivery e vendas online (por WhatsApp e redes sociais). Mas abrir o comércio para o atendimento presencial de clientes, agora, não será possível", completa.