Em estado de emergência desde o último dia 20, o município proibiu a abertura dos estabelecimentos que tenham acesso direto ao público ou possam gerar aglomeração de pessoas, visando evitar a disseminação do novo coronavírus. Em resposta, os empresários e algumas entidades de classe se manifestaram de diversas formas, inclusive, por meio de uma carreata, que ocorreu na tarde de sexta-feira (27). O prefeito Clodoaldo Gazzetta (PSDB), por sua vez, ficou de analisar as propostas junto ao Comitê de Enfrentamento à Covid-19. De qualquer forma, ele afirma que respeitará a quarentena estabelecida pelo governo estadual, cujo término está previsto só para 7 de abril. Nesta data, avaliará a situação para decidir o que será feito.
Houve, portanto, uma pequena mudança, porque o decreto municipal previa o fechamento dos estabelecimentos comerciais até o próximo dia 18. Mesmo assim, o segmento não se vê satisfeito.
A empresária Gisele Gomide, de 37 anos, acredita que a medida não será extinta tão cedo. "Se o prefeito estivesse disposto a alterar o atual cenário, conversaria com os comerciantes, mas não o fez até agora", argumenta.
A mulher, que emprega outras dez pessoas, precisou dispensá-las. "Eu tenho uma pequena indústria que confecciona sacolas personalizadas. Com as lojas fechadas, todos os pedidos acabaram cancelados", justifica.
Então, Gisele decidiu participar da carreata, como forma de pressionar Gazzetta a mudar de ideia. Conforme estimativa da Polícia Militar (PM) e da própria organização do movimento, o protesto reuniu mais de 300 veículos, entre carros e motos.
O grupo saiu do Parque Vitória Régia, pela avenida Nações Unidas, rumo à Ceagesp. Depois, retornou até a rua Coronel José Figueiredo, de onde acessou a Rodrigues Alves. Em seguida, os veículos pegaram a Gustavo Maciel, Primeiro de Agosto e Rio Branco. Eles pararam em frente ao Palácio das Cerejeiras.
No decorrer de todo o trajeto, houve buzinaço. Alguns automóveis, inclusive, carregavam bandeiras do Brasil e os seus condutores entoavam frases de apoio ao presidente Jair Bolsonaro, que defende o chamado isolamento vertical.
REUNIÃO NO AEROCLUBE
Mais cedo, outro grupo de empresários se reuniu com nove vereadores no Aeroclube de Bauru: Chiara Ranieri (DEM), Sandro Bussola (PDT), Edvaldo Minhano (PPS), Luiz Barbosa (PRB), Manoel Losila (PDT), Milton Sardin (PTB), Ricardo Cabelo (PPS), Sérgio Brum (PSD) e Telma Gobbi (SD).
Logo após o encontro, os parlamentares se dirigiram ao Palácio das Cerejeiras para encaminhar as reivindicações ao prefeito. A principal delas consiste na retomada, mesmo com limitações, do funcionamento dos estabelecimentos comerciais.
Na ocasião, os empresários também cobraram a restrição do número de pessoas que acessam os supermercados de uma só vez. Eles denunciaram, ainda, a falta de padronização por parte dos fiscais.
VAI AVALIAR
O prefeito Clodoaldo Gazzetta, por sua vez, afirma que pretende avaliar as propostas junto ao Comitê Gestor de Enfrentamento ao Coronavírus.
Ele, contudo, diz que nada mudará até o dia 7 de abril, data da quarentena definida pelo Estado. Gazzetta, inclusive, esteve reunido com as polícias Civil e Militar, bem como o Ministério Público, ontem, quando ficou reforçado o isolamento social (leia mais na página 4).
Além disso, o prefeito nega a acusação envolvendo a falta de diálogo, ao reforçar que o município está em contato com todas as entidades de classe da cidade. "Não dá para nós, enquanto prefeitura, conversar individualmente com todas as pessoas que se sentem prejudicadas".
O chefe do Executivo municipal torna a dizer que Bauru não parou. "Se a pessoa possui uma loja de roupas, por exemplo, pode trabalhar com delivery, aceitando pedidos via telefone ou Internet", justifica.
Ainda de acordo com ele, qualquer antecipação da abertura do comércio precisa partir de esferas superiores.
Questionado sobre a suposta falta de padronização em relação à atuação dos fiscais, o prefeito alega que precisa de uma denúncia concreta para, assim, averiguar o caso. Para tanto, basta acionar a Ouvidoria, através do telefone (14) 3235-1156.
Quanto à carreata, Gazzetta reitera que não adianta fazer pressão. "Eu só lamento, porque um movimento político, neste momento, funciona como um desserviço para a sociedade".
O prefeito adianta, ainda, que pretende se reunir com as lideranças do movimento neste sábado (28).