A Copa Semel de futebol amador, apesar de não contar com atletas profissionais, tem um ambiente competitivo, jogos disputados e alto nível técnico. Entre os times que fizeram parte das últimas temporadas, três jogadores chamam a atenção não só por terem se destacado em campo, fato constatado por integrarem a seleção do amador bauruense em edição do Troféu Ligado, mas também pelos seus apelidos curiosos: Porta, Placca e Papelão.
Felipe Lemos, o Porta, chegou a se aventurar pelo profissional antes de encerrar a carreira e passar a jogar de forma amadora. Nascido em Brasília, ele veio para Bauru em 2000, aos dez anos. O apelido Porta vem da época que se mudou para cidade e, por causa da região em que nasceu, as pessoas achavam engraçado o jeito como ele pronunciava a palavra "porta".
Porta jogou bola em escolinhas de futebol e também se divertia na rua e nos campinhos. Após fazer algumas peneiras, entrou nas categorias de base do Noroeste aos 15 anos. A partir daí, trilhou uma carreira por clubes do Interior paulista.
"Comecei a rodar por todo o Brasil. Joguei no Sertãozinho, São Bento, Noroeste, Ferroviário do Ceará. Aí, em 2014, tive muita dor de cabeça com clubes que não pagavam corretamente. Tive um empresário que me ajudou muito, mas ele mudou a política da empresa dele e, para mim, ficou inviável. Como ficaria sem empresário, resolvi não seguir adiante sozinho", explica.
Após a aposentadoria, Porta passou a trabalhar com vendas online e recebeu convite para ingressar no amador em 2015 para atuar inicialmente pelo Parquinho. No ano seguinte, ele foi convidado a defender o Beija-Flor, onde está até hoje. Em quatro anos no clube, coleciona dois títulos e um vice-campeonato.
Atuando como atacante de referência, Porta ganhou pela primeira vez o Troféu Ligado pela temporada 2019. Para o jogador, foi uma grande satisfação. "Eu fico muito feliz. Só que quando começa o campeonato isso aí não é minha primeira prioridade. A gente joga mais pelo título do clube do que por troféus pessoais. Quando juntou os dois eu fiquei bem feliz", ressalta.
BASE DO CORINTHIANS
Companheiro de Porta no Beija-Flor, o volante Guilherme Ferraz Bueno Placca é conhecido no futebol amador apenas pelo sobrenome. Natural de Lençóis Paulista, ele também chegou a atuar profissionalmente antes de jogar no campeonato amador de Bauru.
"Com 15 anos, eu tive oportunidade de ir para São José do Rio Preto. Tinha um centro de treinamento lá, onde apareceu uma oportunidade no Brasil de Pelotas. Lá, eu fui para base, joguei sub-17, sub-20 e cheguei a estrear no profissional. O contrato era de um ano. Aí, apareceu proposta de eu ir para o Corinthians, na base. Assinei por três anos e joguei no sub-20. Cheguei a ser emprestado para jogar a Série A3 pelo Flamengo de Guarulhos, clube parceiro do Corinthians", relata.
Ao fim do contrato com o Corinthians, Placca deixou a carreira profissional de lado e foi fazer faculdade. Atualmente, trabalha em um sistema de cooperativas de crédito, em Lençóis Paulista. Ele começou a atuar no futebol amador nas fases finais de 2017, atuando pelo 100% Gasparini. No ano seguinte, recebeu o convite do Beija-Flor, onde está até hoje.
"Em 2018, fomos campeões e no ano passado, também. Ganhei o Troféu Ligado de 2018 e 2019. É um troféu muito gratificante, pois reconhece tudo que você fez durante o ano, durante o campeonato. Dedico totalmente ao grupo", frisa.