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América Latina aposta em quarentena

Estadão Conteúdo - Site
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A América Latina foi um dos lugares do mundo onde o coronavírus chegou mais tarde. Apesar de ter tido tempo para aprender com as experiências de outros países, os latino-americanos sofrem com problemas estruturais, falta de recursos e desorganização para lidar com a pandemia. No entanto, especialistas em saúde pública dizem que o novo coronavírus está prestes a se espalhar perigosamente para o sul.

Eles alertaram para uma crise global nas próximas semanas. "Não há dúvida de que o epicentro da pandemia se mudará para lugares como Mumbai, Rio e Monróvia", disse Ashish Jha, diretor do Instituto Global de Saúde de Harvard.

Em muitos países, avaliar o alcance do surto ainda é o desafio mais básico. Acostumados a crises históricas, as perdas econômicas causadas pelo isolamento nem sequer viraram tema de debate na maior parte da América Latina - e a quarentena foi uma resposta-padrão. No Peru, ela tomou forma extrema. O governo impôs isolamento e isentou de responsabilidade policiais que usarem armas letais contra quem desobedecer o toque de recolher. A medida foi tomada porque muitos estavam desrespeitando a restrição de circulação.

Quem também agiu rápido foi o presidente argentino, Alberto Fernández. Ele fechou as fronteiras no dia 20 e estabeleceu uma quarentena até 12 de abril. Na semana passada, a Colômbia também fechou as fronteiras, suspendeu as aulas e estabeleceu multa para quem sair de casa. No Chile, o presidente Sebastián Piñera preferiu uma quarentena progressiva. A cada dia, mais regiões do país vão aderindo ao isolamento. No dia 18, ele decretou estado de catástrofe, o que ampliou seus poderes para conter a crise.

A política na Bolívia foi afetada pela pandemia. O governo teve de adiar as eleições presidenciais - ainda sem data -, proibiu da circulação de carros e restringiu o movimento de pessoas. Até a Venezuela adotou medidas parecidas.

O caso mais recente de adesão ao isolamento veio do México. O presidente, Andrés Manuel López Obrador, chegou a minimizar os riscos do vírus, recomendando "beijos e abraços" para a população. Mas, na segunda-feira, decretou estado de emergência sanitária e suspendeu até o dia 30 as atividades não essenciais.

Sempre há uma exceção. Na América Latina, ela está na Nicarágua. O governo do presidente Daniel Ortega vê com ceticismo o avanço da pandemia e a vida segue normal. Até o campeonato nacional de futebol continua sendo disputado.

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