Economia & Negócios

Já tradicional, consumidor de última hora é aposta para 'garantir' a Páscoa

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 2 min

Ovos de chocolate, colombas e bacalhau. Os mais tradicionais produtos da Páscoa estão em destaque nas prateleiras dos estabelecimentos. E, neste ano, nem mesmo o temor do novo coronavírus deverá mudar um hábito antigo: o aumento da procura na última semana. A oito dias da data festiva, os supermercados, em Bauru, esperam os consumidores que deixam as compras para os "45 do segundo tempo". Apesar disso, as empresas têm uma expectativa mais conservadora sobre as vendas: nada de aumento em relação ao ano anterior.

É o que estima o empresário Erlon Ortega, dono da rede de supermercados Serve Todos, com sete lojas na região. Ele possui uma visão ampla do assunto, afinal, também exerce a função de vice-presidente da Associação Paulista de Supermercados (Apas) - Regional Bauru, embora não fale, nesta reportagem, em nome da entidade.

Segundo Erlon, os estabelecimentos recebem os ovos de chocolate, de uma só vez, tão logo o Carnaval chega ao fim.

Assim que a pandemia foi anunciada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), em 11 de março de 2020, o empresário já havia completado todo o seu estoque. "Inclusive, comprei 5% a mais do que em 2019, acreditando no crescimento das vendas", acrescenta.

No entanto, o cenário mudou. "Por um lado, as lojas que trabalham com chocolate estão fechadas, fato que trará mais clientes aos supermercados. Por outro, as grandes famílias deixarão de se reunir, em virtude do isolamento social, limitando a sua compra", pondera.

O empresário, então, optou por antecipar as ofertas. "Mesmo assim, 80% das nossas vendas se dão faltando poucos dias para a Páscoa, porque tal comportamento faz parte da cultura dos brasileiros", avalia.

SÓ NA SEMANA SANTA

O sócio-proprietário do Comprando Nacionais e Importados, César Prando, reforça que 70% dos consumidores adquirem produtos pascais, em sua loja, apenas no decorrer da Semana Santa.

O empresário acredita que o índice será mantido, mas prevê que não haverá grandes festas nesta Páscoa. Pensando nisso, ele decidiu preparar cinco refeições especiais, que ficarão prontas na Sexta-Feira Santa (10), para retirada ou delivery. "A celebração da data acontecerá, mas só o pessoal que vive na mesma casa deverá se reunir", justifica.

Com 30 anos de experiência como atacadista de bacalhau, César já percebe que os importadores reduziram a quantidade da compra, em virtude das incertezas provocadas pela Covid-19. "Como o consumo também será menor, creio que não vá faltar peixe em termos de varejo", finaliza.

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