Internacional

Reação tardia poderia explicar caos no Equador

Estadão Conteúdo - Site
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Quito - Só atrás do Panamá como país mais afetado pelo coronavírus na América Latina, com oito mortes por milhão de habitantes, o Equador registrava neste sábado (4) 3.368 casos e 145 óbitos por causa da Covid-19. A demora em adotar medidas de restrição de circulação e a negligência no trato da pandemia explicam a calamidade pela qual passa o país.

O pior cenário está em Guayaquil, cidade mais populosa do país, a 400 quilômetros de Quito. Com 2,6 milhões de habitantes, comércio dinâmico e endereço frequente de voos internacionais, as autoridades demoraram para levar a sério a pandemia que já atingia China, Itália e Espanha.

Nos últimos dias, o país foi tomado pelo medo, com corpos cobertos com plásticos espalhados pelas ruas. O necrotério municipal está cheio e o governo trabalha para criar uma força-tarefa para a crise. Entre domingo (29) e quinta-feira (2), foram removidos 150 corpos das residências. Os hospitais estão lotados. As filas são enormes e, para piorar, muita gente está com medo de ir até os postos de saúde para tratar de outras doenças consideradas "curáveis".

Pesa contra Guayaquil, que concentra sete em cada dez casos de coronavírus no país, a forte migração de equatorianos que foram viver na Espanha e na Itália e voltam todos os anos para visitar as famílias, entre dezembro e fevereiro.

A primeira paciente detectada com coronavírus chegou ao país em 14 de fevereiro e teve o diagnóstico confirmado 15 dias depois. O isolamento social só foi determinado em 14 de março, mas ainda assim foi desrespeitado. Lojas abriram, houve casamentos, parques podiam ser frequentados e houve eventos públicos. Não houve controle.

Já o governo garante que as acusações de negligência vêm de "uma rede que tenta produzir notícias falsas para criar medo e causar caos".

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