São Paulo - Entre os mortos confirmados pela Covid-19 e investigados pelo Ministério da Saúde até o momento, oito em cada dez apresentavam pelo menos um fator de risco associado, a chamada comorbidade. Entre eles, quase nove em cada dez tinham mais de 60 anos. Quadros de cardiopatia foram a principal condição associada aos óbitos investigados: 57% do total até sexta (3). Em segundo lugar vêm os diabéticos, com 40% do total de mortos, quadros de pneumopatia (16%) e doenças neurológicas (10,5%).
Outras comorbidades, como casos renais, de obesidade e asma, aparecem com prevalência menor no total. Os dados fazem parte do novo Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde. Separando apenas os mortos com menos de 60 anos, diabetes, cardiopatias e obesidade foram as comorbidades mais detectadas. Dos 359 óbitos registrados até sexta, 286 (80%) já possuem investigação totalmente concluída pelo Centro de Operações de Emergência em Saúde Pública no ministério.
Médicos e infectologistas em vários estados vêm aguardando as estatísticas associadas aos óbitos. Os dados são fundamentais para que se possa construir um cenário mais realista de como a epidemia afeta a sociedade. A avaliação é a de que só depois de delimitar como o vírus ataca mortalmente certos grupos e pessoas é que será seguro adotar medidas menos restritivas.
Em São Paulo, por exemplo, o decreto que determinou o isolamento de pessoas em atividades não essenciais vence na terça, 7 de abril. A expectativa era de que o aparecimento desses dados coincidiria com o ápice do esforço nos hospitais em preparar o terreno para receber os pacientes graves, o que levou algumas semanas.
Nesse período, além da reorganização de leitos e abertura de vagas em UTIs, as redes cancelaram em massa cirurgias eletivas - responsáveis por 25% das internações em unidades intensivas.