O ministro Luiz Henrique Mandetta acumulou uma série de desgastes com o presidente Jair Bolsonaro, ao defender um amplo distanciamento social da população como enfrentamento do novo coronavírus. O ministro, aplaudido pela equipe da pasta ao chegar para a coletiva de imprensa, se colocou como "dono das dúvidas", e não da verdade. Antes de se pronunciar, Mandetta participou de reunião ministerial comandada por Bolsonaro. Militares insistem que essa é uma guerra que não é boa para ninguém. E alertam para falta de opção. O ex-ministro Osmar Terra, um dos aliados que mais tiveram acesso a Bolsonaro nos últimos dias e que busca assumir o lugar de Mandetta, foi demitido do Ministério da Cidadania porque não dava resultado. Os generais que assessoram o Bolsonaro atuam para apaziguar os ânimos e evitar a demissão de Mandetta. Assim como Bolsonaro, os militares também têm reparos à forma como o ministro se comporta. Eles consideram que Mandetta tenta capitalizar ações da pasta. Mas avaliam que demissão, neste momento, fortaleceria os governadores que hoje travam uma queda de braço com o presidente. Pesquisa XP mostrou que cresceu o apoio aos governadores na medida em que a pandemia se alastra pelo País. Os militares do Planalto tentam convencer Bolsonaro dos riscos de desgaste de sua popularidade. Eles têm consciência que os maiores inimigos são as redes sociais e grupos de WhatsApp que alimentam a ira de Bolsonaro. Os discípulos do escritor Olavo de Carvalho e o vereador e Carlos Bolsonaro (PSC-RJ) demitiram Mandetta em seus posts e passaram o dia tentando fazer Bolsonaro usar a caneta.
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