R$ 1,7 mil para manter seis pessoas no decorrer de um mês inteiro. Esta é a conta que "não bate" feita pela família da faxineira Andreiza Aparecida Ferreira, de 39 anos, que vive em Bauru e parou de trabalhar em virtude da pandemia do novo coronavírus.
"As faxinas foram canceladas. Mesmo se eu arrumar outras, como volto para casa sem contaminar meu marido, que é do grupo de risco?", questiona, em referência ao seu companheiro, que possui enfisema pulmonar e hipertensão. Ele está afastado pelo INSS, de onde sai, hoje, todo o sustento da residência. Andreiza e os seus representam uma grande parcela da população brasileira, que está à espera do auxílio emergencial, de R$ 600,00, para ter um "fôlego" e sobreviver daqui para a frente.
Na casa própria simples conquistada com muita batalha, vivem Andreiza, o marido, três filhos e uma neta de 9 meses.
A faxineira baixou o aplicativo da Caixa Federal para se inscrever junto ao auxílio emergencial, que deverá começar a ser pago a partir desta quinta-feira (9). "Dá 'em análise' ou 'CPF inválido'. Por isso, entrei em contato com o Cadastro Único local", narra, preocupada.
Segundo ela, a atendente do órgão a teria informado que precisava estar inscrita no Cadastro Único (CadÚnico) para obter o auxílio emergencial. "Só que eles só poderiam me receber em 15 de maio, ou seja, dentro de um mês", completa.
Desesperada, Andreiza ligou para o Centro de Referência da Assistência Social (Cras) do Ferradura Mirim, bairro onde mora com a família. "Lá, o pessoal disse que o auxílio valeria apenas para quem já recebe o Bolsa Família, mas não é o meu caso", pontua.
Sem saída, a faxineira resolveu pedir ajuda aos conhecidos. "Dois clientes anteciparam o dinheiro de três faxinas, totalizando R$ 400,00. Eu também consegui o telefone da primeira dama, que mandou uma cesta básica", observa Andreiza, que se tornou MEI recentemente.
'SEM' UM PULMÃO
O companheiro de Andreiza trabalhou como açougueiro até 2017. Sete anos antes, ele parou de fumar. De acordo com a mulher, o mau hábito, associado ao contato direto com a câmara fria, fez com que perdesse a capacidade de um dos dois pulmões.
O homem só conseguiu receber pelo afastamento em novembro de 2019. "Tivemos de contratar um advogado. Porém, o benefício vencerá no próximo dia 4. Até lá, precisamos converter em aposentadoria", frisa.
Apesar das dificuldades, a faxineira diz que ainda não chegou a passar fome. No entanto, assume que está preocupada com o sustento da família no decorrer deste mês, caso não receba o auxílio emergencial.
Para ajudá-la com mantimentos e produtos de higiene, basta entrar em contato através do (14) 98811-1957.
OUTRO LADO
Questionada sobre as possíveis alegações da atendente do CadÚnico local, a coordenadora do órgão, em Bauru, Priscila Pitta, esclarece que não adianta os interessados se inscreverem junto ao CadÚnico agora, caso queiram somente receber o auxílio emergencial.
Quem não está no cadastro, segundo ela, deverá baixar o aplicativo da Caixa e requisitar o benefício através da ferramenta. "A trabalhadora citada pela reportagem seguiu todos os procedimentos neste sentido. Se apareceu 'em análise', significa que ela terá um retorno dentro de cerca de cinco dias. Quando deu 'CPF inválido', provavelmente, ela tentou se inscrever mais de uma vez", explica.
A assistente social reforça a importância de baixar, gratuitamente, o aplicativo correto: Caixa Auxílio Emergencial.