Brotas - Denunciados pelo Ministério Público (MP), seis membros de uma conhecida facção criminosa foram condenados pelo Poder Judiciário de Brotas (100 quilômetros de Bauru). Dos réus, cinco receberam pena de oito anos de reclusão cada um, em regime fechado, pelo crime de organização criminosa armada, com três causas de aumento de pena (uso de armas, infiltração de agente público e envolvimento de adolescentes) e associação para o tráfico. O sexto foi condenado a cinco anos, também em regime fechado, por organização criminosa armada. Todos os réus estão presos e a ação tramita em segredo de justiça.
As investigações que levaram à apresentação da denúncia, em maio de 2019, foram realizadas ao longo de dois anos pela Polícia Civil de Brotas. Durante o período, foi identificado um grupo que atuava na região, especialmente nas cidades de Brotas, Torrinha e Dois Córregos, em nome de uma facção criminosa da Capital, coordenando o tráfico de drogas e armas.
Ainda durante as investigações, a justiça autorizou interceptações telefônicas, permitindo que a polícia flagrasse e acompanhasse o "batismo" de membros do PCC na cidade de Brotas.
Por meio dos diálogos interceptados, apurou-se que um morador de Brotas foi "batizado" como chefe da organização criminosa na região, tendo como "padrinho" um denunciado que está preso na penitenciária de Junqueirópolis, condenado por diversos crimes. Durante as conversas entre os dois, são oferecidos pontos de venda de drogas em Brotas e Dois Córregos.
As investigações também evidenciaram a estrutura e a divisão de tarefas da organização criminosa, que contava, além dos líderes, com agentes que faziam a contabilidade do tráfico e administração do dinheiro recolhido, promoviam rifas e exigiam valores mensais de seus membros para financiar atividades criminosas, além de olheiros e vigias nos diversos pontos de venda de entorpecentes.
No total, 13 integrantes da organização foram denunciados pelo MP. Após receber a denúncia, o Judiciário manteve a prisão preventiva dos réus e desmembrou o processo em outros três, com o objetivo de facilitar a instrução da ação penal. Duas dessas ações estão em fase de instrução, inclusive as que cuidam da liderança local da organização.
INFILTRADO
Ainda durante o inquérito, foi apurado que uma pessoa infiltrada em um órgão estadual que funciona no mesmo prédio da delegacia de Brotas repassou informações privilegiadas a um dos líderes da organização sobre investigações policiais na região.
"No dia em que foram cumpridos os mandados de busca e de prisão dos integrantes da organização criminosa, houve a tentativa de transportar para local seguro drogas e munições que foram apreendidas", diz trecho da sentença.
Na decisão, o magistrado apontou ainda que "conforme relatado pelo Ministério Público, a associação movimentava quantidade relevante de drogas sendo que, apenas no dia da operação da Polícia Civil, foram apreendidas mais de 600 porções de cocaína e quase 5 mil embalagens".